Almeida Henriques, o santanista eleito

por Paulo Neto | 2018.02.19 - 14:35

 

 

Ufano e com motivos para tal, depois de ter corrido o país a catar votos para Pedro Santana Lopes e para a sua corrida à liderança do PSD, após a contundência da derrota, António Almeida Henriques, foi eleito vice-presidente da mesa do congresso, ficando de fora, quantos pelo distrito e para não ir mais longe, lutaram e conseguiram dar a vitória a Rui Rio.

Este, o adversário, virou agora “o nosso Presidente Rui Rio”. Ninguém ignora o catavento leviano que é a opinião da maioria dos políticos, mas se porventura tivesse dúvidas, dissipá-las-ia com esta nomeação, com este post de AH e com a atitude de Rio.

O distrito de Viseu, caído em desgraça política nacional pela mediocridade dos seus sucessivos líderes, vítima como grande parte do interior português – os ditos territórios de baixa densidade – de uma desertificação gradual, dá pouco em matéria de votos. Por isso, os líderes passam por cá, a correr, na campanha e, depois de eleitos, fazem-lhe o grandioso manguito do Bordalo.

Passa-se o mesmo no PS com um presidente da Federação que chegou onde queria, ao CA das Águas do Douro e Paiva, por forma a garantir uma reformazinha doirada, um deslumbrado do “segurismo”, um implacável inimigo de António Costa, que agora louva com um crescente entusiasmo, como se pode ler por este escrito e por quantos mais escreve:

“- O Governo do PS regista um assinalável sucesso, construindo uma estabilidade governativa assinalável, atingindo resultados únicos nos mais diferentes domínios, com a economia a crescer como não aconteceu nas últimas décadas. O que exige uma grande adesão e responsabilidade dos socialistas a um esforço de concertação e coesão internas! É um caminho que não deve ser interrompido!
– Dar continuidade aos anteriores mandatos, valorizar e ajudar a valorizar a atuação do Governo liderado por António Costa, e a ideia clara de que o futuro se constrói trabalhando para uma vitória nas próximas eleições legislativas de 2019, incluindo uma vitória do PS no distrito de Viseu, são as grandes linhas que mais que justificam a nossa recandidatura.”

É o que temos, nesta linha de grande oportunidade – provavelmente uma mente mal formada diria oportunismo – política. Estar com todos, mas preferencialmente com quem vence. Almeida Henriques e António Borges percebem da coisa…