Ainda se lembram do Aqualand do Almargem?

por Carlos Cunha | 2018.03.08 - 09:52

 

         Já lá vão uns bons anos que havia no Almargem uma bela praia fluvial. Era um local muito apreciado e onde muita gente se deslocava, principalmente, nos meses quentes de Verão para usufruir das frescas sombras e das retemperadoras águas do Rio Vouga.

         Os equipamentos de apoio aos banhistas existentes podiam não ser os melhores, no entanto, a qualidade das águas e o verde do espaço compensavam e valiam bem a deslocação.

Ali se juntavam inúmeros emigrantes, residentes locais e gente vinda de outras paragens mais ou menos longínquas, que repousavam nas aprazíveis margens do Vouga.

Depois o Almargem esteve alguns anos encerrado. A seguir, veio a promessa do El Dourado: um investimento milionário que iria catapultar o Almargem para as luzes da ribalta.

O projeto remonta a 2007 e tinha tanto de grandioso como de megalómano. A folha de custos era igualmente a condizer: imensa, enorme, ascendendo a 26 milhões e 400 mil euros, que seriam gastos na construção de um ultra moderno Parque Aquático e também num confortável Hotel.

O projeto de investimento foi apresentado pelos seus promotores à toda poderosa AICEP, que o considerou relevante e, como tal, resolveu apoiá-lo. No entanto, como nos contos de fadas aparece sempre um vilão disposto a estragar os planos. As linhas de crédito com condições altamente favoráveis acabaram por não avançar. De forma célere e solícita a AICEP informou o promotor desta contrariedade e este, sem alternativas, tratou de encolher o projeto, cortando na despesa e assim a construção do Hotel acabou por ficar no papel.

Do projeto inicial ficou apenas o majestoso Parque Aquático e o custo da obra desceu assim para os 16 milhões e 500 mil euros.

Aparado nas gorduras, surge uma nova etapa na vida do projeto: a candidatura aos fundos europeus. E é assim que da magnânima e generosa Europa, via CCDR Centro, chegaram ao Almargem 10 milhões, 643 mil, 367 euros e 71 cêntimos. Para concluir a obra faltavam assim 5 milhões e 400 mil euros, que deviam ter vindo de algum banco.

Se formos hoje ao Almargem é um desalento confrangedor que nos assalta, pois nem Parque Aquático, nem Praia Fluvial! Dos empregos ficaram apenas as promessas, que ainda hoje permanecem na esperança de quem habita na freguesia, que gostava que alguém pegasse na obra e a concluísse.

Em 2015, no tempo de campanha eleitoral para as eleições legislativas peregrinaram até ao Almargem alguns candidatos, porém, daí para a frente a obra começou a definhar até ficar definitivamente parada há quase dois anos.

No fundo do Rio Vouga jazem mais de 10 milhões e 500 mil euros, mas jaz também solitária a culpa dos gurus do investimento e de uns quantos políticos num irresponsável e ensurdecedor silêncio que muitos querem que continue depositado debaixo dos seixos bem lá no fundo do rio.

 

Carlos Cunha é militante do CDS-PP de Viseu e deputado na Assembleia Municipal. Licenciado em Português/Francês pela Escola Superior de Educação de Viseu concluiu, em 2002, a sua Pós Graduação em Educação Especial no pólo de Viseu da Universidade Católica Portuguesa.

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