ADOÇÃO: Afetos e etapas – Parentalidade

por Sara Alves | 2017.05.05 - 11:14

 

 

Tornar-se pai ou mãe requer uma transição para novos papéis e responsabilidades. A parentalidade tem sido descrita como um dos temas de saúde com maior relevância na sociedade atual.

 

Sabe-se que o exercício da parentalidade intervém ao nível da promoção da saúde e bem-estar da criança, denotando-se que a sua ausência ou alteração, influencia e interfere no saudável desenvolvimento físico e emocional da criança, podendo culminar no surgimento de problemas de saúde e disfunções sociais significativas.

A origem do neologismo parentalidade (do latim parentâle) surgiu em 1961, quando o psicanalista  francês  Paul -Claude Racamier  propôs  um  significado  mais  dinâmico  ao  termo maternidade, definindo-a como “o conjunto dos processos psicoafectivos que se desenvolvem e se integram na mulher por ocasião da maternidade”. Pareceu-lhe   ainda   lógico   acrescentar   a   este   conceito   dois   outros   neologismos: paternidade e parentalidade, sem, no entanto, os conceptualizar.

Durante mais de vinte anos, o termo parentalidade permaneceu sem ser usado, reaparecendo, em 1985.

No âmbito da parentalidade podemos definir dois conceitos: parentalidade biológica e parentalidade social. O primeiro conceito remete para a aceitação social, ou seja, a parentalidade que advém de ligações genéticas que é socialmente melhor aceite; o segundo demonstra que as ligações fundamentais são as sociais e que a parentalidade não deve ser uma posição adquirida biologicamente, mas sim uma relação social.

Um outro conceito importante é a parentalidade psicológica. Este diz respeito aos laços que se criam sem vínculo biológico entre a criança e os seus cuidadores que devem desenvolver-se de uma forma lenta, mas estável. A qualidade e quantidade de tempo que os pais passam com a criança vai determinar o desenvolvimento bem-sucedido da parentalidade psicológica. A parentalidade psicológica não depende dos laços de sangue entre a criança e seus pais, mas sim do desenvolvimento de vínculos afetivos e emocionais.

As funções e os papéis parentais passaram, então, a ser reagrupados sob a designação de parentalidade. Na sua essência, o que este conceito quer explicar é que não basta ser progenitor, nem ser designado como pai ou mãe, para se preencherem todos os requisitos necessários na assunção de um papel familiar complexo, dinâmico e integrador da representação de ser pai ou de ser mãe, expressos neste conceito. Tornar-se pai ou mãe faz-se por meio de um processo complexo e longo.

 

Em conclusão:

Apesar do papel parental se modificar de acordo com as fases de crescimento e desenvolvimento infantil; o primeiro ano de vida da criança é muito importante no seu crescimento e desenvolvimento. Os primeiros padrões de prestação de cuidados têm, não raras vezes, tendência a persistir e a influenciar a interação dos pais com a criança ao longo do tempo.

Além disso, é talvez também neste período que acontecem as maiores alterações nos papéis sociais do casal, acompanhadas de necessidades de redefinição e reorganização de projetos de vida, a nível da identidade e funções.