A tirania do “não”

por Joana Gomes | 2017.04.06 - 09:30

“Não.”

“Porquê?”

“Porque não!”

“Mas ‘Porque não’ não é resposta!!!”

 

E aqui, meus amigos, é que reside a grande questão da nossa existência: Ai isso é que é! E porquê? Porque sim.

Claro que já devem estar com os nervos em franja, neste momento. É “porque não”, é “porque sim”. E ainda não se percebeu onde se quer chegar. Mas eu digo. Eu quero chegar à liberdade do “não”! É que isto é tudo muito bonito, mas andar a viver a vida como se de um exame de biologia ou química se tratasse, tem muito que se lhe diga. “Verdadeiro ou falso. Corrija as afirmações falsas.” Não, minha gente. Tem que se pôr um travão nisto. Já não há sossego.

Imagine-se até uma situação bastante comum: a pessoa termina uma refeição e alguém pergunta “Então, não comes mais?” “Não.” “Porquê?”. Lá está. Sempre que dizemos que não a algo, temos que forçosamente justificar. E isto torna-se cansativo. É que raramente se ouve uma pessoa dizer “não” sem ter logo um “porque” a seguir. Acordamos a ensaiar os “porquês” para os nossos “nãos”. E, muitas das vezes, não querendo sequer partilhar as verdadeiras razões que estão por trás do nosso “Não” – imaginem que tinham terminado a refeição porque, de facto, o prato estava péssimo – acabamos por mentir. E vocês sabem muito bem aonde vão parar as pessoas mentirosas, não sabem? (Política? Como assim? Quem falou em política? Acalmem-se. Estou a tentar tratar um assunto sério.)

Bom…há aqui, claramente, uma discriminação entre o sim e o não, em que o “sim” parece ser o menino bonito das conversas. Reparem, se nos perguntam algo ao qual a nossa resposta é afirmativa, está tudo bem, ninguém se questiona, abrem-se garrafas de champanhe e lançam-se foguetes.  Mas se calha dizermos que “não”, está logo o caldo entornado! E para nosso bem, o melhor mesmo é arrancar logo com uma justificação, munida de introdução teórica e meia dúzia de tabelas e gráficos que defendam o nosso ponto de vista. Levando isto mesmo a fundo, o ideal seria chamar um advogado.

Nisto, a minha mãe sempre deu lições a todos desde a minha meninice. Se eu queria comer uma caixa de chocolates sozinha?

“Claro que não!”

 “Mas porquê?????”

“Porque não. E não é não.”

 

Portanto, peço-vos que se respeite o “não”! Já chega de discriminação.

“Diga não à ditadura do sim”

Digam-me lá se não é um slogan de comer e chorar por mais?? Ai não? Então e porquê?

Ahhhh, entendem agora como isto é desgastante?