A selvagem fauna dos semáforos

por PN | 2019.11.13 - 14:36

Há muitos condutores de automóveis que vêem demasiados filmes “made in USA” do género “Street racers”.

Talvez isso justifique algumas atitudes. Mas não as desculpa. Talvez afinal seja todo um déficit das mais básicas regras da civilidade. Talvez não se possa esperar mais de muito “burgesso” que por ainda, com uma carta de condução e um volante nas mãos, dos quais, não tendo respeito por si próprios, não se pode deles esperar qualquer respeito pelos seus semelhantes.

Comportamentos “desafiadores” de “urban racers”, se estão em voga nos ecrãs, não deveriam ser moda nas nossas vias. E porém, são-no.

O número de sinistros rodoviários urbanos não pára de aumentar. Alguns deles estragam a chapa e até servem para moralizar os aceleras. Outros matam pessoas.

Numa notícia já com uns anos, o JN escrevia:

“Quase uma centena de atropelamentos, dois deles fatais para os peões que atravessavam passadeiras, foram registados nos primeiros nove meses de 2010 nas estradas do distrito de Viseu. “

Numa outra de 2018, a Estação Diária escrevia:

“Acidente mortal esta manhã em Viseu. Foi pelas 8 horas, frente à PSP, que uma mulher, de 64 anos, foi atropelada numa passadeira. Segundo informações da PSP de Viseu, a vítima foi mortalmente atingida por uma viatura ligeira, quando atravessava a passadeira, e não resistiu ao impacto, falecendo no local.”

Noutra, de 2019, escrevia o CM:

“Bebés gémeas feridas em atropelamento numa passadeira de Viseu. Meninas seguiam num carrinho, numa passadeira junto à rotunda de Nelas.”

Enfim… é um rosário de vítimas.

Evidentemente que os causadores não pertencerão exclusivamente ao clube dos “street racers”, mas…

Escreve o Público:

“O número de vítimas mortais aumentou em Beja (de 21 para 23), em Faro (de 30 para 39), em Leiria (de 27 para 40), em Setúbal (de 56 para 65), em Vila Real (de 15 para 18) e em Viseu (de 16 para 27).

Esta “fauna” topa-se em todo o lado. Com particular e desafiadora incidência onde foram instalados semáforos, na circular de Viseu. O modus operandi é análogo: Passam a alta velocidade não dando tempo ao semáforo de reagir, senão para os utentes cumpridores. Ou então, passam de “fininho” na zona dos sensores que lêem a informação e depois aceleram numa nuvem de fumo negro das centralinas traficadas, desaparecendo num assobio fantástico do escape trafulhado. Claro, os utentes que circulam a 50 km/h ficam parados a ver os hamiltons mostrarem a sua enorme destreza de pé direito.

Fenómeno cultural-educacional certamente. Felizmente que são uma minoria, senão haveria mais vítimas do que na Síria.

Paulo Neto

(As fotos, com DR, representam situações semelhantes, mas não em Viseu)