A Ressaca

por Alexandre Borges | 2016.11.29 - 18:34

 

 

O comportamento mais recente de Passos Coelho indicia que a ressaca o afecta, e é de tal ordem que até podemos cair no erro, injusto, de achar que a sanidade o abandonou à sua sorte.

Nas vésperas da aprovação do Orçamento de Estado de 2017, documento que foi hoje aprovado por toda a esquerda parlamentar e ainda pelo deputado do PAN, Passos, o mesmo que jurou que o PSD nunca seria a “tábua de salvação do PS” quando chegasse a altura de aprovar os orçamentos de Estado, amuou e fez beicinho por o PS não lhe ter dado a importância que ele julga ter. Julgou que as suas propostas liberais e anti-Estado seriam essenciais para aprovar o documento. Enganou-se e o PSD, coerentemente, votou contra um Orçamento de esquerda.

“Creio que esgotámos aquilo que é a capacidade para ir ao encontro de uma solução de consenso. Esgotámos, não porque não tenhamos vontade de encontrar esses consensos, é porque o PS, como se percebeu da discussão do Orçamento, não está interessado, não quer, mas não quer mesmo”, afirmou terminando com um incisivo “seria impossível que algum Governo que eu liderasse se comportasse com tanta falta de vergonha”.

Quando era Primeiro-ministro foram várias as situações que nos podiam levar a acreditar que a realidade de Pedro era mais própria de um Coelho, personagem de Lewis Caroll, do que das chatices da vida real. Bastaria para isso referir a incapacidade em honrar qualquer meta orçamental, que ele próprio se propôs, ou as diversas inconstitucionalidades que criou com propostas de leis da República. O recorrente recurso ao argumento da “falta de vergonha” por parte de quem protegeu Relvas e disse o inimaginável para justificar o não cumprimento de obrigações fiscais, entre outras habilidades, só pode ser reflexo de uma tremenda ressaca. Falo de poder, obviamente!

Desejo, sinceramente, que Pedro ganhe juízo pois é essencial ao país que o PSD desempenhe um bom papel na oposição. A bem do bom olear das três rodas dentadas da “Geringonça” é bom que assim seja. Que continuem as três partes, mutuamente, a limitarem-se e a alimentarem-se. Esperemos também, por ser Natal, que não voltem ao Facebook textos de Pedro a lamentar-se da falta de dinheiro para dar prendas a toda a sua prole (falo apenas dos seus filhos, naturalmente). Anda um grande debate por aí a propósito de “notícias falsas” nesta rede e todos temos de contribuir para isso. No fundo não é difícil já que “somos o que escolhemos ser”.

Natural de Canas de Senhorim. Licenciado em geologia pela UC.
Virulentamente bombeiro.
Gosta de discussões cordiais, de vaguear pelo mundo munido de auscultadores.

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