“A Política não devia compactuar com os maus exemplos”

por Jéssica Ferreira | 2019.02.02 - 06:16

 

 

Na mensagem de Ano Novo, o Presidente da República pediu “políticos mais confiáveis”. Deduzi que as palavras proferidas eram devidas aos vários casos que têm acontecido na política do nosso País.

Há um elemento essencial, a confiança, a qual quando é posta em causa, provoca danos substanciais e até irreversíveis no contrato que existe entre representantes e representados.

A perda de confiança tem tido reflexos no aumento da abstenção dos eleitores e no crescente e alarmante desinteresse político.

A confiança é a base da política. É preciso realçá-la e não menosprezá-la.

Neste País há uma dúzia de senhores que se crêem “donos disto tudo” e tentam dominar/manipular o trabalho da Justiça, do jornalismo e de tudo aquilo que colide com os seus interesses e objectivos.

A descredibilização dos políticos é culpa deles próprios. São currículos que não correspondem à verdade, são presenças que se confundem com faltas no parlamento, é uma deputada que pinta unhas em plena Assembleia. Autarcas que fazem deslocações em carros da autarquia, mas facturam despesas em carros próprios, aumentando assim o dobro do ordenado… e aqui entra a corrupção, uma imensa nódoa negra no panorama político do nosso País.

E vejam-se, por exemplo, os crimes de que Armando Vara está a ser acusado, então praticados enquanto administrador da CGD, beneficiado e beneficiando os mais próximos e os “amigos”. Ilustrativo sendo a sua própria filha nunca ter percebido o porquê de pagar 200 euros por um empréstimo contraído no montante de 250 mil euros…

Afinal quais são as pessoas sérias que estão na Política (ainda, por hábito e respeito a escrevemos com maiúsculas…)?

Quais os exemplos de que em primeiro lugar a política serve para melhorar a vida dos outros e não para estar ao serviço dos interesses pessoais ou dos acolitados?

A descredibilização dos políticos em Portugal pode abrir caminhos ao surgimento de movimentos populistas, como já incipientes existem encabeçados por Mário Machado, et all.

Os movimentos populistas surgiram, entre outros e são tantos, no Brasil e nos EUA, na França e na Turquia, na Grã Bretanha e na Hungria… Sendo, em geral, consequência de uma falência no sistema político-partidário, quando os eleitores já não conseguem compactuar com os maus exemplos e, saturados, tomando a árvore ou as árvores por toda a floresta, viram as costas àquilo que deveria ser o essencial pilar da Democracia e àqueles que deveriam ser os seus mais lídimos e credíveis representantes.