A lixeira política

por Paulo Neto | 2019.01.01 - 14:51

 

 

Nunca, em tão pouco tempo, tanto de mau se fez por aí.

A democracia tem regras que os cidadãos eleitores devem terminantemente respeitar. E o maior respeito deverá ser para quantos, sujeitos a sufrágio, são pelo Povo eleitos.

Porém, os eleitos foram-no por um projecto apresentado, confiado a uma determinada equipa, para o exercício de um mandato, no qual concretizam as suas promessas eleitorais.

Quando tal não acontece e para opacizar os “inconseguimentos” crónicos se recorre a uma retórica falaciosa, equívoca e mediaticamente fundada na reiteração de inverdades, até que ponto a legitimidade que o voto lhes conferiu permanecerá inalterável?

Se, em agravamento de causa, se faz o oposto do “caderno de encargos” sufragado, que respeito merecem os semeadores da mentira e da ilusão?

Ademais, quando os DANOS começam a desmesurar-se e a transformar os dias num presente cinzento e num futuro sombrio, que legitimidade tem ainda o actuar destes actores?

A democracia tem destas falhas que consistem, essencialmente, na não monitorização da praxis política desta “fauna” dúbia que nunca diz ao que vem, antes sabendo ocultar exemplarmente os seus intentos com recursos cosméticos vários, servindo-se daquela que deveria ser uma das mais dignas das funções públicas e da polis, quase exclusivamente para proveito próprio e da sua “entourage“, dos seus deslumbramentos e das plurívocas idiossincrasias que determinam o seu agir.