“A Imprensa deve servir os governados e não os governantes”

por Jéssica Ferreira | 2018.01.28 - 10:49

Estreou o filme The Post, já nomeado para Globos de Ouro, retratando a guerra no Vietnam e os evidentes interesses que os EUA detinham na China, para a mesma não se tornar um Estado Comunista.

Este foi o verdadeiro fundamento da “guerra”, os omnipresentes e todo-poderosos interesses políticos.

Ellsberg Matthew Rhys trabalhava no cerne das informações secretas do poder político. Cansado da manipulação do presidente Lyndon Johnson em admitir o falhanço maiúsculo no constante envio de tropas para os outros cantos do mundo, roubou documentos com 20 anos de análises e enviou-os ao jornal “The New York Times”.

Após uma publicação polémica sobre o verdadeiro fundamento da guerra, o tribunal dos EUA decide emitir uma providência cautelar, proibindo um dos maiores jornais do mundo de continuar a publicar sobre o assunto.

A administradora do jornal, “The Washington Times”, aqui a actriz Meryl Streep, decidiu publicar os documentos aos quais também teve acesso pela mesma fonte de informação, mesmo  correndo os perigosos  riscos de todos os administradores serem condenados a uma pena de prisão, por violação do princípio da obediência.

Nos EUA era permitido o direito à liberdade de imprensa, todavia, Lyndon Johsnson foi o primeiro presidente, nos anos 70, a tentar processar a mesma.

Depois de um processo litigioso, a imprensa saiu a ganhar neste caso, o acórdão refere que: “A Imprensa deve servir os governados e não os governantes”. Ainda nos dias de hoje este acórdão é citado para efeitos de jurisprudência.

SUPREME COURT RULING: NEW YORK TIMES V. UNITED STATES 403 U.S. 713

“In the First Amendment the Founding Fathers gave the free press the protection it must have to fulfill its essential role in our democracy. The press was to serve the governed, not the governors.”

 

Muito semelhante a Lyndon Johsnson, só Donald Trump, que acusa constantemente os média de “Inimigos do povo americano”. Tornando-se um constante atacante da imprensa norte americana, responde apenas ao que lhe interessa, chegando a expulsar os “incómodos” jornalistas de teleconferências.

Seguir o link: http://sicnoticias.sapo.pt/mundo/2018-01-18-Trump-expulsa-jornalista-numa-conferencia-de-imprensa-na-Casa-Branca

A liberdade de imprensa é uma conquista legítima e imprescindível a todo o regime democrático de direito, cuja importância é inquestionável. O poder desta liberdade é enorme e corresponde à liberdade de escolha dos cidadãos, contudo é um contra, quando vítima da manipulação política e do seu posicionamento ideológico. A intervenção da imprensa na política tem suscitado importantes questões. O porquê de ser o 4º poder? O porquê de comunidades políticas partidárias se envolverem na representatividade de meios de comunicação social?  O porquê de financiamentos políticos?

Entre alguns médias que lutam por uma sólida e cabal liberdade e íntegra independência, existem outros manipulados pelos interesses económicos e partidários, o que nos fará acreditar que este 4º poder é fundamental e indispensável na formação maquiavélica de parlamentos e um meio para lá chegar, com “opinions makers” pagos para conduzir a opinião pública menos crítica e pensante.