A greve justa dos professores

por Carlos Cunha | 2018.03.15 - 16:28

 

 

A greve dos professores é justa?

Claro que sim!

Em tempos de crise, os professores foram uma classe que sofreu os cortes salariais aplicados à função pública.

Estar 9 anos, 4 meses e três dias sem progredir, a receber sempre o mesmo salário foi um sacrifício que todos fizemos para ajudar à estabilização das contas públicas. Foi um esforço coletivo que foi pedido ao país e os professores foram chamados a dar o seu contributo para esta causa.

Não houve poder da escolha! Ninguém quis saber se os professores tinham compromissos assumidos. Havia que contribuir para a redução da despesa pública e os professores tiveram de enfrentar cortes salariais que chegaram através da aplicação da sobretaxa, ficando ainda com as progressões congeladas. Foi uma decisão unilateral da tutela que os professores tiveram de acatar.

Bem sei que outros trabalhadores passaram por situações mais complicadas perdendo o emprego e muitos jovens viram na emigração a porta do futuro, que se afigurava muito incerto e precário em Portugal.

Ao longo do período de congelamento, os professores fizeram as avaliações necessárias e frequentaram as ações de formação mesmo sabendo que não tinham qualquer progressão, fizeram-no por brio profissional e também para se atualizaram cientificamente.

Em 2018, os professores voltaram a poder progredir nas suas carreiras. No entanto, o governo quer fazer tábua rasa de todo o trabalho dos professores, fabricando subterfúgios legais em que escuda a sua decisão de branquear o tempo de serviço para efeitos de progressão.

É por este justo motivo que um número significativo de professores faz hoje greve.

Desenganem-se aqueles que pensam que os professores querem que o tempo de serviço para a progressão lhes seja contado de uma única  vez.

Da minha parte não é isso que pretendo, quero a sua devolução total,  que pode ser faseada durante as próximas mudanças de escalão, mas pretendo essencialmente que não se esqueçam de repensar os acessos ao 5° e 6° escalões, nos quais para além da avaliação deve também contar a formação académica. Essa mesma que alguns políticos teimam em ostentar forjando certificados e diplomas.

 

(Foto DR)

Carlos Cunha é militante do CDS-PP de Viseu e deputado na Assembleia Municipal. Licenciado em Português/Francês pela Escola Superior de Educação de Viseu concluiu, em 2002, a sua Pós Graduação em Educação Especial no pólo de Viseu da Universidade Católica Portuguesa.

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