A Direcção Regional da Cultura do Norte, Aquilino e o documentário censurado

por PN | 2018.12.05 - 09:39

 

Em  maio de 2015 a DRCN promoveu em colaboração com alguns municípios o projecto, “Escritores a Norte – vidas com obras em casas d’escritas”, financiado pelo Programa ON2.

Recordemos a notícia da época e segundo a DRCN…

“Este projeto resulta do firme propósito deste organismo em promover e divulgar o vasto património, que não se esgota no já de si imenso em termos literários, existente em torno de nove casas museu da região Norte, a saber: Quinta das Quintãs, sobre os escritores Domingos Monteiro, Pina de Morais e Graça Pina de Morais, no concelho de Mesão Frio; Espaço Miguel Torga e Casa Miguel Torga, sobre o escritor Miguel Torga, em Sabrosa; Casa de Camilo Castelo Branco, sobre Camilo Castelo Branco, no concelho de V.N. Famalicão; Fundação Arthur Cupertino de Miranda, sobre Mário Cesariny, no concelho de V.N. Famalicão; Casa Museu Ferreira de Castro, sobre o escritor Ferreira de Castro, no concelho de Oliveira de Azeméis; Casa Museu Guerra Junqueiro, sobre Guerra Junqueiro, no concelho do Porto; Casa Museu Aquilino Ribeiro, sobre o escritor Aquilino Ribeiro, no concelho de Moimenta da Beira; Fundação Eça de Queirós, sobre o escritor Eça de Queirós, no concelho de Baião; Casa Museu José Régio, sobre José Régio, no concelho de Vila do Conde.”

No caso concreto de Aquilino Ribeiro, para o filme documentário, realizado pelo cinéfilo e jornalista Mário Augusto, foram convidados Mariana e Aquilino Machado, netos do escritor, Henrique Monteiro, jornalista, Lima Bastos, escritor, José Eduardo Ferreira, presidente da Câmara Municipal de Moimenta da Beira e eu, Paulo Neto, enquanto director da revista literária da Câmara de Sernancelhe, “aquilino”.

No aprazado dia, gaio e soalheiro, tocou a vez de Lima Bastos e eu sermos os entrevistados pela competente jornalista Marta Vilas Boas, o que aconteceu naquele que era o escritório do Mestre, na FAR, em Soutosa.

Não ignorávamos – até porque foram previa e claramente definidas – as regras da entrevista. Poderíamos falar quanto quiséssemos, mas na hora da edição, de cada um seriam seleccionados 2 a 3 minutos de intervenção. Até e porque tendo o documentário vinte e poucos minutos e sendo 5 pessoas a falar, o tempo não dava para mais, para além da captação das imagens e de acordo com o guião definido.

Volvidos uns tempos, no dia 14 de Dezembro de 2016, no Auditório da Associação “Baldios – Terras de Aquilino Ribeiro”, em Soutosa, frente à FAR, procedeu-se à apresentação do trabalho realizado, que diga-se em abono da verdade, estava excelente.

Presentes o DRCN, António Ponte, o produtor Mário Augusto, os presidentes das autarquias de Moimenta da Beira e Sernancelhe, José Eduardo Ferreira e Carlos Silva Santiago, vereadores, presidentes da Junta, Lima Bastos e eu entre demais convidados.

Unanimemente, todos quantos expressaram opinião se congratularam com a qualidade e importância do documentário, que seria mais uma peça fundamental para a divulgação de Aquilino Ribeiro.

Porém, para nosso espanto e sem qualquer plausível explicação publica, até hoje, dois anos volvidos, o documentário nunca foi distribuído e divulgado, nada se sabendo sobre o processo, o procedimento e causas desta absurda quão inexplicável dilação temporal.

À DRCN na figura do seu responsável António Ponte cabe urgente e imperiosamente dilucidar este enredo, que defraudou expectativas e… a não ser editado, lesa seriamente o erário público e o Programa ON2 que o comparticipou.

Mas também a Ministra da Cultura deve ter conhecimento dos factos e sobre eles pedir explicações ao DRCN.

Aqui fica o desafio para se explicarem e explicarem aos aquilinianos o motivo pelo qual o documentário não foi tornado público, sob pena de conjecturarmos ter sido Aquilino, uma vez mais Censurado, já não pelos esbirros do Estado Novo, da PIDE, dos Tribunais Plenários, mas por uma Direcção Regional que deixa a meio os seus empreendimentos.

Aqui pode ver o trailer promocional… https://youtu.be/BoT9_O3Arrk