A concessão do estacionamento em Viseu

por Carlos Cunha | 2018.05.08 - 16:32

 

        A autarquia viseense tem quase tudo preparado para celebrar um contrato de concessão destinado à exploração dos lugares de estacionamento público.

       Para que tal venha a ocorrer falta a necessária aprovação do Tribunal de Contas  (TC). A este respeito, ainda deve estar presente na memória de alguns viseenses, o chumbo do TC quando o atual executivo procurou passar para a SRU a gestão e manutenção dos parques de estacionamento.

O contrato é celebrado com a empresa Saba Parques de Estacionamento, que tem sede no Porto, e explora parques de estacionamento de Norte a Sul de Portugal e ainda em algumas cidades espanholas.

Este executivo concede à Saba Parques, durante 15 anos, a exploração dos parques de estacionamento do Mercado 21 de Agosto e do Hospital Velho e restantes lugares de estacionamento pagos na via pública.

Já aos 324 lugares do Parque Subterrâneo de Santa Cristina e os 145 lugares de um futuro Parque de Estacionamento de Superfície, que será construído na R. Silva Gaio, serão concessionados por 30 anos.

Com este novo contrato, os estacionamentos mais em conta serão nos Parques de Estacionamento do Hospital Velho e da Av. Capitão Silva Pereira, onde cada hora de parqueamento custará 0,55€.

Este contrato fará entrar nos cofres do Município um agradável jackpot de 3 250 000,00, ficando ainda a Saba Parques obrigada a entregar trimestralmente 25% do total das receitas cobradas nos estacionamentos na via pública.

     Perante estes números, a autarquia liderada por Almeida Henriques prepara-se para encaixar a fatia de leão, enquanto para os executivos vindouros sobrará o prémio de consolação, resultante da entrega trimestral da renda de 25% do total cobrado na exploração dos parquímetros.

     Sobre o que pretende fazer com o prémio do Jackpot, Almeida Henriques, até ao presente momento, nada disse, o que se estranha num autarca que faz do mediatismo e da comunicação  uma constante.

    O Parque de Estacionamento do Mercado 21 de Agosto não devia fazer parte deste acordo. Este espaço de estacionamento devia destinar-se a fomentar o comércio naquele mercado. Para além disso, com o atual acordo haverá um aumento do preço do estacionamento por hora, o que não constitui um bom prenúncio para um Mercado que precisa de movimento e de compradores predispostos a ali fazerem as suas compras.

Por fim, ceder por 15 anos a exploração deste estacionamento a privados, indicia que o atual executivo não tem intenção de aí fazer obras de fundo.

Este é um assunto sensível , que, no entanto, parece tomado pela indiferença, afinal ainda há viseenses que gostariam de saber onde é que o executivo pretende despender tão avultada receita extraordinária e também quais as zonas de estacionamento que sofrerão um aumento de preço em função do atual contrato?

Carlos Cunha é militante do CDS-PP de Viseu e deputado na Assembleia Municipal. Licenciado em Português/Francês pela Escola Superior de Educação de Viseu concluiu, em 2002, a sua Pós Graduação em Educação Especial no pólo de Viseu da Universidade Católica Portuguesa.

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