A cidade do farrobodó

por Vítor Máximo | 2018.02.02 - 17:16

 

Todos conhecemos a história de Joaquim Pedro Quintela.

Para quem desconhece o nome, talvez o conheça como Conde de Farrobo que além, de festivaleiro e bon vivant, derreteu a enorme fortuna da família em faustosas festas, saraus, desvarios e tropelias que dava no palácio de Farrobo, mais conhecido por palácio das Laranjeiras na cidade de Lisboa do século XIX.

E todos conhecemos a expressão farrobodó que daí advém.

Podemos dizer e até pensar que Lisboa continua a ser a cidade do farrobodó, desenganem-se.

Agora é Viseu.

Sim sim, Viseu.

Não há volta a dar, não há dia do ano que não haja uma festa na cidade de Viseu. Os meus amigos de outras partes, pelos vistos mais cinzentas do país, ficam maravilhados e intrigados como temos tempo para trabalhar com tanta festarola e arraiais.

Pois esse é mesmo um dos problemas de Viseu, não há onde trabalhar e no meio de tanta festa não há uma barraca de bifanas que arranje emprego à malta.

Continuamos no mesmo marasmo a olhar para o céu de boca aberta, extasiados com o fogo de artifício, inebriados com cheiro a farturas, tertúlias de vinho e abafados pelo som das fanfarras.

Mas o farrobodó continua e este ano é a vez do folclore, vai ser mais um ano a gastar sola dos sapatos nas deslocações para os eventos municipais. Não fiquem já indignados os do costume. Nada tenho contra esse património cultural que é o folclore, muito pelo contrário. Eu próprio durante muitos anos fiz parte de um rancho infantil e orgulho-me disso.

Apenas e simplesmente anseio que chegue o dia em que alguém seja iluminado e decida promover, por exemplo, o ano do desenvolvimento empresarial, o ano do sector primário, o ano do comércio tradicional e por aí fora.

E assim sim, fazíamos um farrobodó à maneira com tudo a que temos direito e digo a que temos direito porque tal como o dito conde parece que nesta cidade há muitas festas, mas não são para todos.

Já agora, e para terminar, relembro que conde de Farrobo estourou a fortuna em festas e que apesar de pelos vistos a cidade de Viseu ter os cofres cheios de “ouro” não há Bizdirect ou IBM que nos salvaguarde o futuro.

Nem só de festas vive o viseense.

 

 

Educador de infância. Militante CDS-PP

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