O Brasil não está numa encruzilhada…

por Rufino Fino Filho | 2018.10.15 - 19:16

Esta coisa das eleições no Brasil mexe com todos nós. Vemos os brasileiros como parentes nossos que moram do lado de lá do oceano, que falam com um português doce e melodioso e que estão a passar um mau bocado, por causa das eleições entre dois contendores que galvanizam e extremam posições políticas.

Haddad, seguidor e afilhado político de Lula, apareceu agarrado à imagem do seu padrinho, sonhando com a mais-valia que lhe poderia trazer quem teve um início fulgurante como Presidente da República do Brasil, rompendo com o passado e criando condições mais dignas para milhões de brasileiros. De nada lhe valeu! Lula, o messias, acabou na prisão, condenado em todas as instâncias judiciais do país. Haddad, pagou por isso! Não conseguiu descolar do sequestro da riqueza do Brasil em favor de quase todos os que com Lula estiveram. Os casos de corrupção institucionalizada pelo Partido dos Trabalhadores no poder, através das operações PETROLÃO, LAVA JACTO e MENSALÃO, e os esquemas de defraudação de capitais públicos com a empresa do estado PETROBRÁS e a construtora multinacional ODBRECHT, acrescidos aos mais de 50 biliões de cruzeiros que espalhou por regimes corruptos como Cuba, Venezuela, Angola, Congo, Zimbabwe, Gabão e Guiné Equatorial, pulverizaram as intenções políticas de Haddad e do PT. Haddad não percebeu que Lula, o seu padrinho, seria o seu algoz.

Bolsonaro, velho combatente contra a instalação da esquerda no poder, aparece com um discurso novo e ideias de que os brasileiros já não ouviam falar há muito tempo: família, pátria e segurança. Atacou as políticas da saúde, a falta de estabilidade financeira, o ensino particularmente enviesado que a esquerda institucionalizou, os apoios ás ONG’s, que sugavam os recursos públicos, e o caminho trilhado pelo desgoverno saído do impeachment de Dilma. Denunciou, sem papas na língua, a corrupção e os corruptores, ameaçou os bandidos e não se calou. Nem mesmo a tentativa de assassinato que o colocou fora da campanha valeu ao seu adversário. Este esqueceu que a vítima é sempre mais admirada que o criminoso. Ao contrário do que seria de esperar, Bolsonaro cativou os jovens, os desfavorecidos, os industriais e a classe média, a grande sacrificada em regimes de esquerda. Com um discurso directo sem tibiezas meteu o dedo nas feridas e o povo deu-lhe a vitória, claríssima, na primeira volta. Na verdade, o PT criou o monstro que haveria de o comer. O PT e Haddad, não deram conta que a viragem à direita é uma criação sua, gerada pelo mal-estar geral e pela descredibilização a que deixaram chegar o país.

Os brasileiros aceitam o risco de perderem algumas das suas liberdades democráticas, na esperança de que serão compensadas com a segurança, a estabilidade económica, o respeito pelas instituições públicas e por um geral bem-estar social que todos desejam.

Ao contrário do que se afirma, o Brasil não está numa encruzilhada: está no caminho que foi indicado e escolhido pelos votos de 50 milhões de brasileiros, que se preparam para confirmar na 2ª volta. A viragem não vai dar-se apenas porque uns são “comunistas” e outros são “fascistas”: dá-se, porque a história dos povos é feita de mudanças e porque a aspiração a uma vida melhor em segurança e prosperidade, supera os desejos daqueles que apenas pensam em si, no partido e nas ideologias que só olham para o umbigo do chefe.