Uma “clara” visão, a de Harari…

por PN | 2018.08.07 - 10:17

 

Descobri algo tardiamente o Yuval Noah Harari. E quem é ele, com este judaico esquisito nome? Em breve esquisso, um professor de História na Universidade de Jerusalém, doutorado em Oxford…

Mas o que o torna especial? A sua forma de pensar o mundo e as ideias adquiridas e garantidas, o seu modo docente de instigar os seus alunos a questionarem-se constantemente sobre o “prêt-à-porter” das teorias “impingidas” pelo “establishment” e fundamentalmente os seus dois livros editados, dois sucessos editoriais:

Sapiens – História Breve da Humanidade” (2013) e “Homo Deus – História Breve do Amanhã” (2015) e um próximo livro, ainda no prelo, com saída prevista a 1 de Setembro, e que já está a aguçar o apetite dos leitores “21 Lições para o Século XXI”.

A escrita é fluida, assertiva e estimulante, despertando nos leitores o desejo intenso de ler, com lápis na mão, incomodando e empurrando para a reflexão/fruição.

Os temas são-nos todos mais ou menos familiares, a sua abordagem é simples e despretensiosa e o conhecimento adquirido é neuronialmente estimulante.

Como mero e breve exemplo, do capítulo I do “Homo Deus”, esta transcrição:

“Pela primeira vez na História, há mais pessoas a morrerem por comerem demasiado do que por não terem o que comer, há mais pessoas a morrerem de velhice do que de doenças infeciosas e o número de pessoas que cometem suicídio é superior ao número total das que são assassinadas por terroristas, soldados e criminosos. No início do século XXI, é mais provável alguém morrer por se empanturrar no McDonald’s do que por falta de água, devido ao Ébola ou num ataque da Al-Qaeda.

Por isso, ainda que presidentes, CEO e generais continuem a ter a agenda preenchida com crises económicas e conflitos alimentares, à escala cósmica da História, a humanidade pode levantar a cabeça e olhar para novos horizontes. Se estamos a controlar a fome, as epidemias e a guerra, o que irá substitui-las no topo da agenda? Como se fosse um bombeiro num mundo sem incêndios, a humanidade tem de fazer a si mesma uma pergunta completamente nova: o que fazer connosco? Num mundo saudável, próspero e harmonioso, em que é que deveremos concentrar a nossa atenção e habilidade? Esta questão torna-se ainda mais urgente devido ao enorme poder que a biotecnologia e a tecnologia da informação nos têm proporcionado. O que faremos com esse poder imenso?”