Lamosa – A Vida é movimento

por Rua Direita | 2017.04.15 - 12:46

II Semana da Saúde do CSPLamosa

“A vida é movimento”

 

Este artigo começa com uma máxima de Aristóteles que nos diz que a vida é movimento, para nos lembrar que saúde é sinónimo de movimento. Talvez por isso, o Dia Mundial da atividade Física é celebrado com tanta proximidade do Dia mundial da Saúde. Dia 6 e 7 de Abril, respetivamente.

Como IPSS que dirige o seu trabalho para pessoas mais velhas, importa-nos enquadrar o termo Saúde com a velhice, que será o mesmo que associar Saúde com a vida, pois envelhecer não é mais que viver. Como alude Schopenhauer em “Aforismos para a sabedoria da vida”, com saúde tudo se transforma numa fonte de prazer, enquanto que sem ela não podemos desfrutar de nada, qualquer que seja a sua natureza, e mesmo os outros bens subjetivos, como qualidades mentais, disposição e temperamento, são degradados e diminuídos pela saúde precária. A saúde é de facto a primeira condição de uma velhice bem sucedida, no entanto, não podemos descurar que para além de uma baixa probabilidade de enfermidade, com incapacidade associada, de um alto funcionamento cognitivo, físico e funcional, é necessário existir um alto compromisso com a vida e com a sociedade (Rowe, 1997, cit. por Fernández-Ballesteros, 2002). A perspetiva do envelhecimento ativo adotada pela Organização Mundial de Saúde defende precisamente que uma velhice bem sucedida tem de ir além da saúde, esperando-se dos idosos participação ativa e frequente em contextos sociais, familiares, educativos e outros (Amado, 2008, p. 11).

O Centro Social Paroquial de Lamosa realizou entre os dias 3 e 8 de Abril pela 2ª vez a Semana da Saúde, envolvendo este ano mais pessoas e parceiros formais e informais, com o intuito de promover a adoção de hábitos saudáveis e a prática de atividade física. Os objetivos foram mais uma vez cumpridos, tendo sempre como base a teoria da atividade de Havigrhust, que defende a atividade como aspeto essencial para uma velhice saudável e bem sucedida e que “sustenta que os idosos que conseguirem manter-se inseridos no mundo social e permanecer ativos, experimentarão um sentimento de satisfação com a vida” (Simões, 2006, p. 139). A adaptação à velhice está assim relacionada com a capacidade de continuarmos inseridos no mundo social, quanto mais ativa for a pessoa idosa, maior será a sua satisfação com a vida. Neste sentido, Bortz (1989) “põe em causa a noção de envelhecimento como sinónimo de fraqueza, fragilidade, depressão, dependência e desânimo (helplessness), que não considera características inerentes ao envelhecimento, introduzindo a ideia de que a falta de uso é a entidade patológica que atua no organismo humano” (cit. por Paúl, 1991, p. 37). Esta “falta de uso” e o desinteresse demonstrado pelo indivíduo, pode também ser considerado um fator negativo na procura de uma velhice feliz: “a maior velhice no velho é o desinteresse. Não bem a surdez que cresce, a vista que diminui, a queda dos dentes, do cabelo e do mais que foi caindo para a nulidade do ser. Tudo isso é de velho, mas há o que sobre isso estende o seu cansaço e é a quebra do interesse seja pelo que for, incluindo a vida agora quase imóvel como um pinheiro” (Ferreira, 2001, p. 155, cit. por Simões, 2006, p. 105).

 

“Até as árvores, para florescer, precisam ser agitadas pelo vento.”

– Artur Schopenhauer, Aforismos para a Sabedoria da vida.

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