BE – Visita do deputado Moisés Ferreira a Nelas

por Rua Direita | 2017.03.30 - 08:52

 
“Não é todos os dias que um deputado se desloca ao Concelho de Nelas. Quando assim acontece cabe aos autóctones ser hospitaleiros e foi isso que aconteceu, na circunstância. Além de uma pequena delegação do Bloco de Esquerda, o deputado Moisés Ferreira, responsável pelas questões da saúde do grupo parlamentar, teve ainda a companhia do vereador municipal Alexandre Borges e de Américo Borges, agora aposentado mas bom conhecedor dos problemas da região neste sector. Esta visita ocorreu no dia 27 de março e tinha por objectivo conhecer os problemas da saúde do concelho de Nelas nomeadamente no que diz respeito à situação das unidades de saúde locais e suas extensões.

Na unidade de saúde familiar de Nelas (USF Estrela do Dão), onde o grupo de visitantes foi recebido pelos responsáveis do ACES Viseu Dão Lafões.
O deputado do BE foi informado dos constrangimentos sentidos pela direcção, a saber:
– A questão dos transportes: os táxis, à falta de outros meios de transporte, têm sido o recurso possível para os utentes e os médicos que prestam apoio domiciliário, onerando os gastos públicos. A este propósito, o deputado referiu que o Bloco de Esquerda conseguiu que o Parlamento aprovasse legislação que permitirá a aquisição de viaturas próprias para estes fins.
– A dificuldade de recrutar operacionais técnicos e administrativos, pelas limitações centralmente impostas .
– A dificuldade de adquirir equipamentos, ainda que de custos  modestos e de os receber com a desejada celeridade.

Na visita às instalações o deputado e seus acompanhantes tiveram ainda oportunidade de falar com uma médica que lhe falou das condições de trabalho e que o informou do seguinte:
– Desde 2013 as condições de trabalho deterioraram-se significativamente por causa do acréscimo do horário laboral (passou-se de 35 horas para 40 semanais).
– A lista de pacientes a consultar diariamente era excessiva: 41, nesse dia,  sendo a maioria dessas pessoas idosa e com baixa formação académica, o que exigiria mais tempo a dedicar a cada uma. A médica receava não estar a realizar um bom trabalho em face do que lhe era exigido. Os 10 a 15 minutos que podia dispensar a cada paciente mesmo à custa da sua hora de almoço assemelhava-se a uma «linha de montagem industrial» incompatível com o cuidado humano que se devia ter, tanto relativamente aos pacientes quanto relativamente aos próprios médicos. No total, a médica, tal como os  seus colegas, tinham cadernos de cerca de 1900 utentes sob a sua alçada.
– O assédio de instituições estrangeiras aos médicos, propondo-lhes trabalho fora do país, ameaçava levar os jovens e até os menos jovens pois as condições físicas e psicológicas a que estavam sujeitos eram incomportáveis.

A visita prosseguiu tendo-se visitado de seguida a extensão de Carvalhal Redondo e de Santar. Em ambas se constatou a falta de gabinetes de enfermagem bem como de enfermeiros que pudessem prestar cuidados a quem deles necessitasse.  Isto obriga os utentes a deslocarem-se, sem necessidade, a Canas de Senhorim ou a Nelas, em situações perfeitamente atendíveis naquelas extensões. Esta situação poderá estar relacionada com a falta de recursos de transporte identificados pelo director da ACES.

Estes postos têm horário reduzido (um dia de semana e no caso do Carvalhal Redondo apenas quatro horas). A quantidade de utentes atendidos não deverá permitir muito mais a estes médicos do que passar receitas. As funcionárias de ambos os locais têm contratos precários (através de Contratos de Emprego e Inserção), tendo uma delas andado a ser transferida de serviço camarário para serviço camarário nos últimos 5 anos.
O posto de Santar funcionava provisoriamente num edifício com condições pouco dignas para a função.

Por fim, visitou-se o centro de Saúde de Canas de Senhorim, lugar mais bem equipado e com horário mais extenso. Ainda assim, registaram-se algumas carências, quer quanto a pessoal administrativo, quer quanto à falta de resposta célere para tantos utentes. A unidade tinha já consultas marcadas até aos finais de Maio, o que mostra bem a incapacidade de resposta em face da procura, por razões de falta de pessoal.

Em face destas circunstâncias, o deputado do BE comprometeu-se a dar conhecimento destas situações a nível parlamentar, sob a forma de perguntas ao governo, dando conhecimento dessas acções em breve.”

 

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