Turismo ou a “arte de dar voltas”

por Paulo Neto | 2018.10.19 - 11:40

Será esta a etimologia do termo oriundo do inglês “tourisme”…

 

Os últimos dias têm sido pródigos em notícias sobre a mega-operação judiciária denominada “Éter”, por sua vez oriunda do latim “aether”, ar subtil e do grego “aithêr”, queimar.

Ironias à parte, gabe-se o belíssimo lirismo dos atribuidores de nomes a estas bem-vindas investigações.

O omnisciente Pe. António Vieira escreveu com muito acerto:

“Tire-se o impedimento à luz e logo se verá e achará o que se procura e busca.”

Terá sido o que aconteceu e estará para acontecer.

Não nos congratulamos com a desgraça alheia. Todavia, não podemos esquecer que aqueles que por cupidez, ganância, ligeireza de princípios, ausência de escrúpulos, transgressão e/ou outros prevaricam, ultrapassando todos os princípios legais em vigor… correm um calculado risco. Uns saem impunes, outros pagam pela prevaricação. A ver vamos…

Na nossa lusíada sociedade, a inquinar o ar que se respira, há um “éter” de impunidade / imunidade criado pelos “bons encostos”, agora posto em causa com o destapar da careca de alguns “donos-disto-tudo”, da finança, do desporto e da política. O que, convenhamos, já não era sem tempo, para dar moral ao cidadão cumpridor, zeloso e orgulhoso por viver num estado de direito democrático.

Estranho neste contexto é a recorrência com que se citam as buscas da PJ também feitas à Câmara Municipal de Viseu. Mas mais estranho ainda é o sepulcral silêncio expelido pela autarquia e pelo seu presidente, ademais sabendo que é um homem da comunicação, que afirma e reitera “quem não comunica não existe”, é cronista do CM, tem assessores de imprensa tornados vereadores e jornalistas virados assessores de imprensa. Logo, um homem que muito aposta na promoção mediática.

Ora, aqui teria uma boa oportunidade de a exercer e de conceder aos viseenses (e não só) o direito a saber qual “o fogo que gera tal fumo”, simultaneamente exercendo o magno dever da total transparência para com os seus munícipes, que lhe consignaram a confiança do voto e o puseram à cabeça do município por duas consecutivas vezes.

Como hoje estamos virados para o lirismo, saímos do texto com um excerto de Frey JoanneS GarabatuS em “As Quybyrycas” (ed. Afrontamento, 1991):

“Oh! Que imbecil maneira de estar quêdo no agitar da cauda obediente

que impedindo o pensar impele o medo

como um sangue nutrido em visgo quente a encher-nos as rendas…

já me fedo por achar nestas mãos tanta semente

sem mais terra de arar com o arado dum bruto verso, qu’este ruim bocado (…)”

 

Com a devida vénia, a foto de capa e do JN de hoje.

Deixamos ainda dois artigos da jornalista Ana Henriques, do Público e de Julho de 2015 de Pedro Morgado, da Rua Direita.

 

 

https://www.publico.pt/2018/10/19/sociedade/noticia/governo-parceria-empresario-preso-ontem-1848105

https://www.publico.pt/2018/10/18/sociedade/noticia/presidente-turismo-norte-detido-suspeitas-corrupcao-1848016

https://www.ruadireita.pt/ ultima-hora/viseu-parte-a- conquista-do-mundo-9742.html