Prevaricar ou trocar as pernas…

por Paulo Neto | 2019.10.29 - 14:46

A etimologia das palavras é interessante para, nalguns casos, melhor compreendermos o seu significado actual.

É o caso de “prevaricar” que tem origem no latim “varus” e queria dizer ”o de pernas tortas”. Ora quem tem as pernas tortas, com facilidade as troca. E ao trocá-las anda ou caminha mal. Em fim de sentido, sai da linha, sendo a linha metáfora do recto caminho.

Há bem pouco tempo, autarca houve que ao ser confrontado com notícias sobre o seu eventual envolvimento em caso pela Justiça investigado, célere correu aos microfones a dizer-se “indignado, estupefacto e achincalhado”.

Agora e segundo o JN, o mesmo autarca “foi constituído arguido por suspeitas de dois crimes de prevaricação em negócios”. Aos jornalistas, já não invocou a indignação. Antes pelo contrário, disse estar “tranquilo”. E mais acrescentou  nada “ter a ver com os factos relacionados com a designada Operação Éter”, concluindo “em relação a outros eventuais factos sob investigação, só me pronunciarei quando conhecer o que consta do respectivo processo, sendo certo que estarei sempre disponível para colaborar com a Justiça…

O JN refere ainda que os dois crimes de prevaricação “serão alvo de investigação pelo Ministério Público, num inquérito autónomo”.

O autarca em questão invoca ainda o “princípio de presunção de inocência” alegando que “meras suspeições não devem dar lugar a julgamentos na praça pública”.

Como é possível estarmos perante uma “cabala”, e sabendo que cabala é o nome de uma ciência oculta ligada ao judaísmo, mas também palavra que pode significar conspiração, intriga secreta, trama, se estivéssemos a ser hipotéticas vítimas dela, a primeira coisa que faríamos era recorrer a um criminalista de inequívocas provas forenses dadas. Por exemplo e para não ir muito longe, dos lados de Coimbra, pois os locais poderão não estar à altura…

É indescritível esta eventual “perseguição” a um homem de “luminoso rasgo”, basta ver o último Fórum de Reflexão do Viseu 2030, ou a Vissaium XXI, Associação para o Desenvolvimento de Viseu, ou a Viseu Marca, Associação de marketing territorial e de branding de Viseu, com 48% do capital do Município, onde os “pensadores do território” se estribam e congregam para “alavancar” a urbe e levar ao possível infinito a “linda Cidade museu onde Viriato nasceu“.

Por isso, e num acto de mera solidariedade e da parte de um humilde munícipe, mesmo não dando voz a quem afirma que “vai a procissão no adro”, a Rua Direita expressa aqui a sua co-indignação com a do autarca em causa, que é a pedra angular de Viseu, “Um farol no interior do País”.

Paulo Neto

(Foto DR)