Os ministros fala-barato

por Paulo Neto | 2019.01.31 - 14:09

 

Há sempre uns tantos “linguarudos” em qualquer governo que se preze. Este não é excepção. Desde Marta Temido, da pasta da Saúde, ao João Matos Fernandes do Ambiente e à da Cultura, Graça Fonseca,a ligeireza de língua e a falta de tirocínio político, deixa-lhes frequentemente o pé a escorregar para o chinelo.

João Matos Fernandes, podendo louvar-se-lhe a visão ambientalista, peca pela lesiva inconveniência de anunciar para um futuro breve a perda de valor dos carros a gasóleo. Ora bem sabemos que em Portugal, com os impostos brutais sobre os combustíveis e o consumo menor dos veículos a gasóleo, quem muito tem de andar, por estes opta. Não por gosto, mas por necessidade. Por outro lado, o ministro do Ambiente que, de vez em quando se desloca num carro eléctrico com a TV atrás e à frente – no que não é seguido pelos restantes membros do Governo a que pertence – parece ter-se esquecido do Grupo PSA a operar em Mangualde, da Auto Europa em Palmela, etc. Também se terá esquecido dos inúmeros milhares de portugueses que vivem do negócio de venda de veículos, assim como das oficinas que empregam tantos desses milhares. O alarmista fala-barato gerou uma enorme confusão e retracção no sector. E por ignorância, decerto, esqueceu-se de acrescentar que os diesel, se poluem o ar com óxidos de nitrogénio, são 15% mais eficientes que os motores a gasolina, no consumo. Mas isto já era pedir de mais…

Depois segue-se a embrulhada de desdizer o dito, atenuar as consequências, minimizar os “estragos”. O remendo tip-top.

Porém, como escrevia Barthes, “As palavras são irreversíveis. E essa é a sua fatalidade.”. De outra forma dito, depois de proferidas não voltam à boca…

A ministra da Saúde ganhou também um prémio nesta frase à Marquês de Pombal, na sequência do Terramoto de 1755: “Quando há erro médico o que é preciso é enterrar os mortos e tratar dos vivos”.

In illo tempore, o rei D. José, aturdido, quando pergunta ao seu plenipotenciado ministro que fazer, depois do devastador cataclismo que arrasou Lisboa, obteve a fria e racional resposta: “Sepultar os mortos e cuidar dos vivos!” Mas falava dos milhares de mortos vítima do terramoto…

A ministra da Cultura, cheia de entusiasmo, já proferiu também os seus dislates. Mas menos graves, coisas de tauromaquia, geografia e etc. e tal.

Talvez uma língua mais curta e um cérebro mais célere, ponderado e sensato resolvesse a questão… para obviar ao anedótico e à inconveniência deslumbrada.