Os filhos de Azurara

por Paulo Neto | 2017.10.19 - 08:45

 

 

Segundo malévolas notícias hoje vindas a público, dois notáveis filhos de Azurara estarão na mira da justiça por suspeitas várias.

São eles o ex -“gold boy” do governo de Passos Coelho, Sérgio Monteiro e o “gentleman driver” Paes do Amaral (sim, Paes com “e” apesar do corrector não querer aceitar, pois falamos de gente com sangue azul e nobiliarquia de conde ou quejando).

Corrupção, fuga ao fisco, participação em negócios… enfim, ninharias. Nada de importante nos dias que correm e, decerto, falsas acusações que os visados, em três “penachadas” descartarão com irrefutável donaire e irrefragável limpidez.

Ademais e convenhamos, hoje em dia quem não estiver sob suspeita de qualquer coisinha, só pode ser um ostracizado marginal, um anónimo sem eira nem beira.

É preciso compreender que o mundo real e o mundo virtual – com estas coisas da internet – se entrecruzam facilmente, deixando a ficção enrodilhada na realidade e o referente emalhado no irreal.

Também é preciso ser um homem moderno e um cidadão do mundo global, para se perceber que nada do mundo financeiro é como há uma década atrás.

Aliás, bom é entender-se que o mundo do “peer-to-peer electronic cash system”, também pelo Zé da Emília apodado de bitcoins, nada tem a ver com o porta-moedas surrado com que íamos à mercearia Flor de Viseu pagar as compras da quinzena. É o mundo do “blockchain” que a maioria de nós, uns ultrapassados ignorantes, nunca chegará a destrinçar…

E este mundo novo, na área negocial, não é para velhos nem para a puerícia encueirada.

Quando me ocorre o que por aí dizem aleivosamente do Bava e do outro, Granadeiro, dois dos mais lídimos comendadores da Nação, tão justamente agraciados por Cavaco Silva…

Daí a falar em corrupção e outras coisas mesquinhas e vis, quase me faz lembrar aquela intervenção do Dr. Libório, em “A Queda de um Anjo” quando afirma, perante o soez ataque:

“Mais prestimoso fora ao cosmos, se o Sr. Calisto estanceasse no agro do seu covil a lidar com a fereza dos javalis.”

Ao que Calisto Elói, lesto retorque:

 “Sou da velha clientela de Quintiliano, senhor presidente. Com ele entendo que por demais se enganam aqueles que alcunham de popular o estilo vicioso e corrupto, qual é o saltitante, o agudo, o inchado, e o pueril, que o mestre denomina praedulce dicendi genus, todo afectação menineira de florinhas, broslados de pechisbeque, recamos de fitas como bandeirolas de arraial. (…) Protesto, senhor presidente, protesto contra a suja aleivosia cuspida na sombra de um príncipe ausente, indefeso e respeitável como todos os desgraçados. Que história vilã é esta? (…) Em que soalheiro de antigos lacaios de Queluz ou Alfeite ouviram os refundidores da justiça estas anedotas hediondas, e mais torpes o esqualor de recontá-las?”

Esta é a questão e se bis placenta repetita, aqui de novo se lavra, para reiteradamente acentuar a nossa indignação:

“Em que soalheiro de antigos lacaios de Queluz ou Alfeite ouviram os refundidores da justiça estas anedotas hediondas, e mais torpes o esqualor de recontá-las?”

E mais, que se dúvida emergisse à colação, as Terras de Azurara, não dão à luz bastardias de carácter nem jogadores de casino, romaria ou d’arraial, antes dela nascendo, como sementes facundas à terra pródiga dadas, exemplos a seguir por todos os outros filhos da Nação.