Os Bombeiros Voluntários de Viseu merecem isto?

por Paulo Neto | 2017.10.25 - 16:02

 

 

As últimas notícias sobre o competente corpo de Bombeiros Voluntários de Viseu deixam a sua direcção e alguns dos seus actos perante um embaraço pouco dignificante.

O afastamento do dedicado Comandante Luís Duarte está ferido de invocadas equivocidades que, e a não serem clarificadas, na sua opacidade, podem permitir conjecturalmente perceber como e onde chega a “mão do Município”; o possível grau de politização partidária de uma direcção; a política “revanchista” encetada e praticada por quantos parecem ser extensões ou membros da “capelinha do Rossio”. Mas porque nos recusamos a crer neste hipotético cenário, passemos a alguns factos.

Num documento posto a circular, a decisão de afastar Luís Duarte do comando, “um saneamento politico” prende-se e citamos com o seguinte:

O senhor Presidente recusou reunir com os bombeiros, para explicar os motivos e ficou-se a saber que os motivos são de 2016. O comandante defendeu a exiguidade da alimentação para os homens que comanda, e bem, e esse é o argumento usado pela direção que acusou o comandante de provocar um conflito, de ter objetivos que são antagónicos da politica do Município de Viseu para a proteção civil.”

Mas mais há a considerar perante a gravidade das acusações feitas:

Quem é o presidente da direcção, Carlos Costa? Que motivos o movem?

Quem é a vice da direcção, Ana Paula Santana, que motivos a movem?

Decerto os da filantropia e espírito de missão. Mas…

Já a Direção optou por uma atitude reveladora do bom caracter que possui, ao não dar justificações aos homens. Escondeu-se depois de lançar a perturbação.”, afirmam.

A ser verdade, como é que uma direcção em interacção com o Corpo de Bombeiros Voluntários que dirige, autocraticamente decide e unilateralmente recusa dar a cara pelas suas decisões?

Os bombeiros têm pena porque Viseu tem, realmente, um bom projeto de proteção civil que tem dado provas e que não se quer politizado. O presidente da Câmara não vai dar ordens aos Bombeiros Municipais, porque o há-de fazer o senhor Carlos Costa que ainda nesta segunda-feira contratou mais um funcionário para uma corporação que, muitas e bastas vezes, tem salários em atraso? Porque hão de uns bombeiros ser mandados pelo comandante e outros pela direção?”

Que espécie de atitudes dirigentes estão subliminares ao conteúdo desta afirmação? De politização dos contratados? Não acreditamos…

Será este o momento temporalmente certo para o que mais parece ser “a noite das facas longas”?

Quem é o putativo novo comandante escolhido por esta direcção? Será que a sua escolha e consequente afastamento de Luís Duarte não vai provocar uma cisão num corpo que, cada vez mais, se quer unido e coeso?

Que competências e provas dadas tem o novo comandante, na matéria específica que vai comandar?

Os Bombeiros não são “soldados da paz” para gabar num dia e crucificar no outro, porque tal tipo de atitude – insensata ou não, se verá – é de molde a desacreditar as direcções e as políticas que as movem, e mais grave, a pôr em causa a futura hegemonia e acção de quem, nada percebendo de políticas de gabinete, dá o corpo ao manifesto, nos momentos em que a palavra de ordem é “ir à luta”, pela terra, pelas pessoas, pelos seus haveres e bens.

Mas claro está que todo este aparente imbróglio terá uma plausível explicação e, esta direcção, que não se quer polémica nem envolvida em “falatórios”, vai explicar com clareza todos os motivos do seu agir e a clareza e pureza dos seus intentos.

A não ser assim, parafraseando o “outro”, “obviamente, demita-se!”

 

(Fotos com DR)