Ontem, uma vez mais, o “dono da cidade” gerou a confusão rodoviária, em hora de ponta…

por Paulo Neto | 2017.05.25 - 09:48

 

 

Dia 24 pelas 20H00, novamente – agora parece ser todas as semanas – o “dono da cidade” mandou a PSP cortar o trânsito em diversas artérias urbanas, das 19H30 em diante, para que uma corrida pedestre pudesse decorrer com a normalidade exigida pelos mentores do evento, que tinha 10 quilómetros de extensão, a começar no Rossio, frente à morada oficial do “boss” e se deslocou pelo Parque da Cidade, Escola Alves Martins, Igreja Nova, rotunda da circunvalação até ao Mcdonald’s, rotunda de Nelas, Palácio do Gelo, etc., até chegar ao Soldado Desconhecido, Rua Direita, Largo D. Duarte e terminar no ponto de partida.

Foi mais uma hora de confusão, no exacto período do dia em que todos quantos trabalham fora de Viseu regressam aos seus lares, cansados e desejosos de jantar, estar em família e descansar. Infelizmente, Viseu, por falta de oferta de emprego, cada vez mais se está a tornar um dormitório de Nelas, Mangualde, Tondela, etc… Uma terra onde os munícipes vivem muito bem e de cara alegre — na eventual perspectiva do autarca — de folguedos, corridas e demais festarias e cantorias.

A PSP, que ainda não explicou a confusão criada no dia do ciclismo, com uma etapa da prova do Dão anulada pela Federação Portuguesa de Ciclismo, lá andava, afanosa e diligente, a colocar barreiras de metal e fitinhas azuis por todo o lado, a proibir sem explicações nem alternativas, tartamuda e sem saber o que dizer a quem questionava os agentes de quais trajectos utilizar para chegar às suas casas.

Toda os atletas têm o direito ao seu exercício e às suas provas pedestres, velocipédicas e outras. O direito e a liberdade é perdido quando é posto, sistemática e recorrentemente em causa, o direito e a liberdade dos outros.

Pessoalmente, tivemos o ensejo de testemunhar as longas bichas que o aparato provocou. Vimos ambulâncias do INEM, de sirenes ligadas a tentar romper as filas, decerto com pessoas a carecer de cuidados médico/hospitalares de urgência, a fazerem ziguezagues perigosos para chegar ao Hospital, vimos filas enormes de condutores muito irritados, num grande “buzinão”, saturados de dar para o peditório festaroleiro do “dono da cidade”.

Chegados à rotunda da Quinta do Galo, vindos de Nelas, a PSP mandou-nos para trás sem explicações nem alternativas, daí, subimos a Repeses, onde um outro agente de novo nos cortou o acesso e, depois de questionado sobre qual caminho seguir, respondeu com um vago gesto em direcção a Tondela. Porque conhecemos a cidade – há utentes da estrada, em trânsito, que não conhecem –  lá fomos até Paradinha, São Salvador, Vildemoinhos para e enfim aceder à Quinta do Bosque. Um trajecto que apenas nos quintuplicou a distância e o tempo da deslocação.

O “dono disto tudo” começa a meter um nojo incrível a muitos cidadãos e munícipes que não fazem da vida uma festa. Gente que trabalha e ao fim do dia, cansada, quer apenas chegar a suas casas.

Respeitamos todos quantos praticam o atletismo enquanto desporto e treino de manutenção física. Porém, as horas e os percursos escolhidos são polémicos, porque colidem com a liberdade de circulação de muitos. E decerto que, para tal iniciativa, encontrariam dezenas de alternativas que não pusessem em causa a circulação urbana e os acessos à cidade.

O “dono do burgo”, aparentemente curtinho de ideias, gosta destas e doutras actividades que dêem a ilusão de muita dinâmica. Ninguém ignora já que esta é a única linha condutora de uma política autárquica festaroleira sem nada de realmente sólido, concreto e de potencial mais-valia e riqueza para a qualidade de vida dos munícipes, a quem são esportulados caros impostos, para gáudio de um pagode restrito de amantes/negociantes da pinga e de foliões que fazem jus ao rifão “com festas e bolos se enganam os tolos”.

Chamam-se a estes eventos Corrida/Caminhada da Semana e no dia 26 deste mês pode tomar parte numa outra, às19H30, no Rossio. Mas deixe o carro em casa, pela sua rica saúde.

Acresce aos referidos corredores pedestres — aqueles com os quais nos cruzámos —  mais uma “racebike” daquelas que a CMV é perita a organizar, com anulação de etapas — provavelmente o leitmotiv de todo o sururu.

Uma provazinha que deve custar ao erário mais uns avultados milhares de euros tirados dos impostos por todos nós pagos.

É assim que este indivíduo julga projectar Viseu, que está em vias de se tornar um “sambódromo” de 9ª categoria…