O “psitacismo” de Almeida Henriques

por Paulo Neto | 2019.07.09 - 21:35

Talvez Almeida Henriques tenha a “síndrome do tenor”. Talvez. E assim, com a poderosa auto-estima que todos lhe reconhecemos, gosta de ouvir a sua voz trautear, não as grandes árias de opera, mas os fait-divers do quotidiano. À chacun ses goûts…

Terá muito tempo para isso. Até para as suas exuberantes crónicas no CM e tempo de antena nos tvcanais que acorrem deslumbrados a ouvi-lo no exercício da auto-celebração. Talvez não tenha tempo, nem se preocupe tanto com a cidade de Viseu e seus munícipes, mas isso é outra conversa que não interessa aprofundar.

Tocada a sineta, os “repórteres” do burgo acorrem céleres à audição de mais uma ejaculatória brilhante. Talvez em média sejam para aí umas duas dezenas por mês. De ejaculatórias, claro. Não de obras.

Desta feita e a propósito do aparecimento do nome de João Azevedo a encabeçar a lista dos candidatos a deputados pelo PS do distrito de Viseu, talvez num assomo de fera ciumeira ou de triste inveja (quem sabe?), ele que foi secretário de Estado Adjunto da Economia e etc. e tal, de Passos Coelho, por uns magros meses e abandonou o cargo (?) para o qual tinha sido nomeado para se vir candidatar à autarquia viseense – embora na nossa humilde opinião, um mau secretário de Estado seja melhor que um mau autarca – entende que João Azevedo não o devia fazer, dando-se como exemplo daquilo que nunca faria.

“Nunca fui daqueles que acha que tem de estar em dois tabuleiros ao mesmo tempo. Se estou na Câmara, estou na Câmara e nunca seria cabeça de lista ao Parlamento. Acho que os mandatos devem ser cumpridos e que, se estou na autarquia, é para levar o meu mandato até ao fim. Não consigo estar em dois sítios ao mesmo tempo e já tivemos pessoas que estavam num determinado cargo, encabeçaram listas e não assumiram as funções”

(em entrevista a um periódico local)

Ele que nunca deixaria o lugar de autarca para ser deputado – o Santana convidou-o? – ele que entende serem os lugares políticos para levar até ao fim, nunca aceitaria fazê-lo – o Rui Rio convidou-o? – ele que até agora só abandonou o lugarzinho de sE (ou abandonaram-no?)…

Quanto a João Azevedo, é lícito conjecturarmos que a sua “visão” o pode inquietar. Assustar até. Mas, se AH não for antes embora, 2021 vem longe cabonde e o cronista das Terras do Demo ainda pode, enfim, brilhar, num sprint final, com a meta à vista…