O nosso Almeida e a "felicidade"

    Desta feita, levado decerto no arroubo lírico, o nosso Almeida raiou as bordas de Parnaso… Na sua conjectânea epistolar, publicada no jornal onde faz publicidade camarária de página inteira, o edil viseense arranja para a “coisa” logo um belo título “Revolução silenciosa”. Tal título, de tão inspirado, logo nos lembrou a “maioria silenciosa” […]

  • 15:10 | Terça-feira, 03 de Abril de 2018
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Desta feita, levado decerto no arroubo lírico, o nosso Almeida raiou as bordas de Parnaso…

Na sua conjectânea epistolar, publicada no jornal onde faz publicidade camarária de página inteira, o edil viseense arranja para a “coisa” logo um belo título “Revolução silenciosa”. Tal título, de tão inspirado, logo nos lembrou a “maioria silenciosa” do 28 de Setembro de 1974, mas não… nada tem a ver. Antes se inspirou – não escrevi plagiou – em Marcelo Rebelo de Sousa, na notícia que pode ler aqui:
Falando decerto em nome das funções que desempenha, de presidente das “Smart Cities” da ANMP, autointitula-se “observador privilegiado desta revolução silenciosa” (observador não é o mesmo que actor interventivo), que mais não é do que aquilo que o Presidente da República diz:
Há uma revolução silenciosa, subterrânea, que está a ser feita todos os dias por empresários e trabalhadores, por jovens cada vez mais qualificados, por avanços em todas as áreas da economia. Essa revolução está a mudar o país”
São “os projectos de governação inteligente e inovação urbanas” fruto, claro está, de “uma nova geração de autarcas”, onde decerto se incluirá. “A felicidade e a liberdade têm de continuar a ser os desígnios maiores das cidades”, reitera o de “de cujus” ( e nunca estivemos tão de acordo), para em seguida enumerar aquilo que provavelmente gostaria de ser capaz de levar a bom porto:
“gestão do trânsito”; “eficiência dos transportes públicos”; “aproveitamento de dados abertos à criação de novos serviços aos cidadãos, às empresas e aos turistas”; “protecção de séniores em situação de vulnerabilidade”; “prevenção de riscos naturais e tecnológicos”; “da interacção dos cidadãos com a administração”; “da realidade virtual e aumentada à animação turística”…
Porém… O Smart City Index Portugal, de Dezembro de 2016, no seu longo relatório de 146 páginas, analisando 36 cidades portuguesas, em domínios vários, chega à conclusão do seguinte TOP10:


TOP10 – Análise Global

Porto

Águeda

Cascais

Bragança

Guimarães

Matosinhos

Braga

Sintra

Aveiro

Santarém

TOP10 Governação: Viseu aparece em 5º lugar.

TOP10 Transparência: Viseu aparece em 5º lugar.

TOP10 Inovação: Viseu não aparece.

TOP10 Competitividade e Economia local: Viseu não aparece.

TOP10 I&D e Tecnologia: Viseu aparece em 7º lugar.

TOP10 Sustentabilidade: Viseu não aparece.

TOP10 Mobilidade: Viseu não aparece.

TOP10 Boas Práticas Energia: Viseu não aparece.

TOP10 Ar e Emissões: Viseu não aparece.

TOP10 Gestão de Água e Resíduos: Viseu não aparece.

TOP10 Biodiversidade: Viseu não aparece.

TOP10 Qualidade de Vida: Viseu não aparece.

TOP10 Cultura: Viseu aparece em 7º lugar.

TOP10 Educação: Viseu aparece em 9º lugar.

TOP10 Conectividade: Viseu não aparece.

 
E parafraseamo-nos, reiterando o que escrevemos faz agora um ano:
Ou seja, e em suma: Em 15 fundamentais indicadores, Viseu aparece no TOP10 de 36 cidades, em 5, num rangue sempre abaixo de meia tabela, não atingindo o topo em nenhuma. Notemos que não foi analisado o universo nacional.
Talvez este relatório tivesse falhado ao não incluir a felicidade, aí, sem indicadores objectivos concretos, mesuráveis e palpáveis, e a fazer fé na retórica megalómana, estaríamos no primeiro lugar. Pena é que os viseenses não o sintam…
Leia aqui:
 

Almeida Henriques desenvolve o novo “conceito de felicidade” em Viseu


 
 

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