O grande Almeida de que “o país precisa”

por Paulo Neto | 2019.11.12 - 12:01

Há tempos ando arredio das conjectâneas epistolares de António Almeida Henriques, no seu dilecto jornal CM e sob a abusiva égide de Terras do Demo, que ele, provavelmente nem sabe onde ficam nem porque deram nome, em 1919, ao romance com esse título escrito por Aquilino Ribeiro. Não é grave, pois o tempo de políticos cultos, salvo cada vez mais raras excepções, há muito passou.

AH alerta-nos na sua página pessoal do FB, numa espécie de intróito à epístola:

Na minha crónica semanal no Correio da Manhã elenco uma série de motivos para apoiar a candidatura de Luís Montenegro à liderança do PSD. Desde logo pela crise de representação que o Centro e a Direita atravessam em Portugal.

Ou seja, abandonado por Rui Rio que é um político prestigiado, com critério e seriedade, depois de se virar empenhadamente para o derrotado Santana Lopes, agarra-se agora, com unhas e dentes, à derradeira jangada possível: Luís Montenegro, o tal  que usa o slogan bem humorado: “A Força que vem de dentro”… e que na sua candidatura  tem o especial dom de congregar todos quantos Rui Rio deixou de fora, naturalmente por motivos que ele melhor que ninguém bem conhecerá…

E assim, neste seu élan panfletário, talvez para se distrair da cinzenta realidade envolvente, nesta sua imperiosidade de ser notado – por positivo motivo –AH elenca com plumitivo ênfase os seus motivos para tal apoio, que são muitos, elevados e variados e que o leitor pode ler na íntegra na imagem junta, e “PORQUE O PAÍS PRECISA”, este quixotesco cruzado assim remata, humilde e despretensioso:

por tudo isto apoio e coloquei-me ao lado da candidatura de Luís Montenegro à liderança do PSD. O país precisa.”

E em destaque, no corpo da epístola, clama : “Porque a política precisa de coragem e de visão para ser grande e popular”. Ou seja, eu, AH, que sou corajoso e tenho visão, para que tu, Montenegro, sejas grande e popular… CONTA COMIGO! Temos homem. Não resultou com Santana pode ser que agora resulte.

Se eu escrevesse no Twitter remataria com um emoticon sorridente e um lapidar “LOL” (laughing out loud), assim, como escrevo na Plataforma Rua Direita, deste modo concluo:

Ao lado da candidatura não… a reboque esforçado, sim, numa reiterada oferta de seus imaginários préstimos que bem podem ser uma menos-valia ao invés da mais-valia imaginária que o insuflado ego assazmente lhe dita.

Paulo Neto