O Centro Histórico de Viseu, afinal, é subterrâneo…

por Paulo Neto | 2019.08.16 - 11:09

“É frequente as coisas serem exactamente o contrário daquilo que nos dizem, e é justamente por isso que no-las repetem com tanta insistência e brutalidade.”

Despentes, Virginie – “Teoria King Kong”, ed. O Orfeu Negro, 2016

Somos quotidianamente vítimas de uma tão atarantada quanto desvairada propaganda oriunda do executivo camarário viseense. E agora mais que nunca, talvez para tentar “dar asas” ao delfim-Sobrado.

Nela, um denominador comum, a excelência das suas práticas e a grande amplitude dos seus qualificados serviços.

Por vezes, quase se assemelham à prostituta redimida ou ao carteirista convertido que, em cada frase proferida, repetem:

“Digo-lho com toda a honestidade…”

“Com toda a seriedade afirmo…”

Há neste tipo de discurso e a nível do inconsciente uma premente e obscura imperiosidade de absolvição de qualquer mácula… Ou pelo menos, assim o parece, em termos freudianos.

O executivo camarário viseense tem “afinado” o seu departamento de comunicação e/ou propaganda. Por isso nos fala ao minuto, através da comunicação social amável & amiga (vá-se lá saber porquê…), de tudo quanto faz ou fará, todavia não usando da mesma velocidade e método na recorrente e transparente divulgação das falhas (para eles invisíveis) e, eventualmente até, naquilo que não divulga, por exemplo, nas contas da Viseu Marca, parceria público-privada com dois rostos, o de Jorge Sobrado e o de João Cota, este enquanto eterno “manda-chuva” da AIRV e “boss” do CERV (Centro Empresarial da Região de Viseu), instituições detentoras da maioria do capital societário (48+4%), por forma a não serem obrigados à prestação de públicas contas, conjecturalmente sendo lícito pensar ser essa a intenção, hipótese na qual, de todo, não é possível nem aceitável crer…

A última do sector de propaganda prende-se com os buracos que a “EON” vai fazendo urbe fora. Por ela se sabendo que de cada cavadela sai – não uma minhoca – mas sim uma megapólis paleolítica, mesolítica ou neolítica.

É bom. Afinal o centro histórico está ao alcance de qualquer retroescavadora e enterrado a alguns metros de profundidade. É subterrâneo, por isso não tem a devida visibilidade.

Talvez quando os espanhóis da Saba, SA começarem a escavacar/escavar a cidade, se descubra, finalmente, uma extensão de Conímbriga, Pompeia ou Creta, ou até vestígios da antiga linha férrea perdida, o pergaminho de Viseu Património da Humanidade ou uma ânfora com a poção de Obélix.

Paulo Neto

(Foto DR)