O catavento do Rossio

por Paulo Neto | 2018.12.20 - 10:28

 

ca·ta·-ven·to
(forma do verbo catar + vento), substantivo masculino

1. Lâmina ou figura enfiada numa haste, geralmente colocada no alto dos edifícios, que indica a direcção do vento.

2. Brinquedo constituído por uma haste em cuja extremidade há uma estrutura de papel ou afim com forma de moinho de vento.

3. [Figurado]  Pessoa volúvel.

 

 

António Almeida Henriques assemelha-se cada vez mais a um “catavento”. Mas a um catavento que, de acordo com o soprar de Éolo, assim se orienta e posiciona para não navegar de vela panda.

Até se pode inferir um henriquino circunstancialismo náutico, ou até, in extremis, volubilidade.

É cómoda a postura, trata-se da síndrome do “praticamente”, advérbio de modo que relativiza tudo e mais alguma coisa. Viseu é a melhor cidade para viver. Praticamente.

Se a qualquer temerária afirmação das muitas que profere e escreve acrescentar o “praticamente”, nunca ninguém o culpará de algum “inconseguimento”, de alguma indiligência, incúria, incapacidade…

Também há quem lhe chame “jogo de cintura”, uma extraordinária capacidade de dançar síntono com a música de ocasião.

Talvez por isso, ontem, à Lusa disse coisas extraordinárias sobre o aeródromo local, muito tempo aspirado como o “Aeroporto Internacional da Muna” (AIM).

Meras manobras de diversão sabendo quão curta é a memória humana, quão encomiastas são os órgãos de comunicação locais, quão alheio e distante se vai tornando o cidadão comum da atoardice do seu agir.

Mas sabendo mais: que não há dinheiro para as suas estonteantes ilusões (ou as do Sobrado), mesmo não dizendo quantos milhões de euros/ano custa ao erário público a passagem do seu aviãozinho favorito pelos cerúleos céus desta terrinha…

 

Ler aqui…

https://www.dn.pt/lusa/interior/autarca-de-viseu-diz-nao-ter-pretensao-de-transformar-aerodromo-em-aeroporto-10343410.html?fbclid=IwAR2XLowT2HCZwiRlmJcdeWSgQ7ShsV7Mh7VRVgVlj7CbzRSSpkyBWWUsbrQ