João Paulo Gouveia, cartão de visita de Viseu e um caso de sucesso

por Paulo Neto | 2017.09.11 - 09:25

 

 

“Porque vão todos os caminhos a Viseu?” pergunta arrebatada uma jornalista de um quotidiano nacional.

Lemos o artigo com interesse para percebemos este fenómeno, só visível para alguns, provavelmente a preço de ouro pago por meia dúzia, com o dinheiro de milhares, para benefício de uns tantos.

A jornalista ouviu boa gente, entusiasmada com o seu privilégio de cá viver. Depois, lá fez a sua publicidade aos do costume, como compete.

Após constatar que em Viseu “a modernidade espreita em cada esquina”, sem nos elucidar quais as esquinas e qual a modernidade que viu a espreitar, passa a João Paulo Gouveia, “do grupo Lusovini” empresa a propósito da qual a jornalista refere: “Já estamos atrasados para a visita à antiga adega de Nelas, hoje nas mãos da distribuidora e produtora de vinhos Lusovini que tem a maior parte do volume de negócios (70%) fora de Portugal.”

E ficamos ainda a saber da conversa tida à mesa: “As visitas são gratuitas e atraem todos os meses 2500 a 3 mil pessoas que depois, se quiserem, fazem uma prova de vinhos acompanhada por petiscos cozinhados pela equipa liderada pelo chef Luís Almeida. Pode ser que comecem, como nós começámos, com um Pedra Cancela Reserva branco, sugestão de Sónia Martins. A enóloga e administradora da Lusovini é da Bairrada mas mudou-se há 17 anos para a região do Dão e diz não estar nada arrependida.”
“O Interior é um mito, a interioridade só existe na cabeça. Eu moro em Carregal do Sal, vou de manhã às nossas quintas de Portalegre e venho almoçar a Nelas”, diz já à mesa que partilhamos com João Paulo Gouveia, produtor dos vinhos Pedra Cancela.

Além de ser também enólogo e administrador, João Paulo Gouveia é vereador da Câmara de Viseu e presidente da Associação de Desenvolvimento Local do Dão Lafões e Alto Paiva. Saiu para estudar e, tal como estão agora a fazer muitos dos seus antigos colegas do Liceu Alves Martins, regressou.”

“Hoje há tudo em Viseu: três bons hospitais (um deles público), um politécnico pujante, um bom teatro, tecnologias da informação e agro-indústria. Pensam que somos provincianos, mas hoje não há esse estigma. Estamos a 2h30 da capital e a 35 km do mar. Sem fibra ótica é que estaríamos desligados do mundo.”

“Além de ter crescido muito nos últimos vinte anos (passou de 20 mil habitantes para 100 mil), Viseu atrai cada vez mais visitantes. O turismo aumentou 18% em dormidas desde 2014 e ainda faltam os números de 2016, “o melhor ano de sempre”, diz João Paulo Gouveia depois de nos servir mais um pouco do seu Pedra Cancela Reserva tinto, de 2014.”

“Não é por acaso que “Viseu, cidade vinhateira” é um dos pilares do marketing territorial da Câmara – o Dão foi a primeira região demarcada de vinhos de mesa em Portugal. Para o ano, fará 110 anos. Brindemos a isso.”

(…)

A jornalista ficou “esmagada pelos 2500 anos de história” e descobriu “que se está muito bem na região do Dão”.

Nós, aqui, na nossa costumeira humildade aprendemos muito com ela. No fundo, aquela faceta da comunicação social, a didáctica, que é a arte de ensinar. E até com João Paulo Gouveia, político polifacetado, vereador camarário, enólogo, vinhateiro, presidente da ADDLAP, administrador e… honra lhe seja feita, um dos mais dinâmicos cartões de visita da cidade do Viriato, que “em poucos anos passou de 20 para 100 mil habitantes…

Quem terá encomendado esta reportagem?

 

http://visao.sapo.pt/actualidade/sociedade/2017-09-10-Porque-vao-todos-a-caminho-de-Viseu-