Hipocrisia ou amnésia?

por Paulo Neto | 2018.05.23 - 12:45

 

 

Outrora, o “hipócrita” era um actor que desempenhava papéis de falsidade, no teatro grego. Hoje, um hipócrita, segundo o prestimoso “Priberam”  é aquele que mostra algo que não corresponde àquilo que pensa ou sente; que ou quem revela hipocrisia.

Evidentemente que um autarca como António Almeida Henriques nunca poderia ser “hipócrita”, por isso a pergunta do título é uma mera interrogação de retórica. Todavia, como a maioria dos políticos “que se preza”, aceitamos que seja eventual vítima de circunstanciais estados intermitentes de amnésia ou de esquecimento.

Em boa verdade, coitados, eles dizem tanta coisa, debitam tanto gigabyte de informação/comunicação diária que – estamos a falar de seres humanos, que diabo! – não se podem lembrar de quanto disseram e fizeram ontem, anteontem, há uma semana, há um mês, há um ano.

Ainda mais quando as circunstâncias mudam, e ora se está do lado de lá, ora do lado de cá, ora se tem um governo laranja ora é rosa, a quem, cerradamente, se tem que fazer feroz oposição, que mais não seja para dar nas vistas e, um dia, quem sabe, alguém se lembrar dos clamores e “berreiros” de hoje, chãs anuências de ontem.

Jogo subtil, o da política, para o qual há que ter muita “competência”, jogo de cintura, lapsos de memória, muita treta e demais labieta…

Almada Negreiros escrevia, no seu “Ultimato às Gerações Futuristas“:

Não tenho culpa de ter nascido em Portugal, e exijo uma pátria que me mereça”.

Provavelmente é o que pensará Norberto Pires e pensarão muitos portugueses conscientes e críticos, distantes da cómoda maioria acéfala que por aí deambula entre o Futebol, a Fé e o Fado e, agora, também entre muitos políticos de carreira, que desde os bancos da catequese, ungidos pelo Divino, souberam que a sua missão era a de serem missionários da polis, a de, a qualquer custo e com muito sacrifício, se tornarem servidores da causa pública.

O carreirismo traz-nos hoje uma onda crescente de medíocres, gente que numa comum profissão como a exercida por milhões de concidadãos, seriam meros, anónimos e banais mangas-de-alpaca e pela política, cujos corredores longos e esconsos souberam penitentemente trilhar, se tornaram no poder que hoje, democraticamente eleito, diga-se em abono da verdade, sem alternativas credíveis e perante a indiferença generalizada de uma população “abúlica”, os tornou os ”donos disto tudo”. O que nada tem a ver com António Almeida Henriques, claro, antes sendo uma tergiverção textual.

Porém, há muito que não estranhamos algumas atitudes do presidente da Câmara de Viseu, indivíduo que desde há muito labuta na política ou em lugares colaterais à política, licenciado em direito, ex-empresário,  hoje um esforçado e sacrificado missionário municipal, vivendo apenas do delgado pecúlio de autarca, de magros 3.624,41 € + 1.110,97 € de despesas de representação. Salário que, confessemos que nem dá para os “charutos” como dizia o outro, quanto mais para o Memofante. Mas tal é acessório…

Norberto Pires, professor catedrático da FCT da Universidade de Coimbra, nosso estimado amigo e prezado colaborador, na sua crónica de hoje chama pelos nomes aqueles que, segundo ele “não têm nenhuma vergonha, vivem da falta de memória dos outros e constroem narrativas para parecerem aquilo que não são.”

E tal porquê? Porque segundo o cronista, ex-presidente do Conselho de Coordenação Regional do Centro, no governo de Passos Coelho e sendo ministro um Maduro de má memória e ineficaz acção, e efémero secretário de Estado da Economia o actual edil viseense, tudo o que este defendeu contra a Região Centro é, agora, aquilo por que ele mais pugna, enquanto autarca, meia dúzia de anos depois e referentemente à reprogramação estratégica do QREN.

Palavras de Norberto Pires:

“Hoje, perante uma situação exatamente igual, de reprogramação do PT2020 em que a Região Centro volta a ser penalizada, a reação do ex-Secretário de Estado é completamente diferente. Quando era governante, não queria saber da Região Centro, de Viseu, nem de qualquer dos municípios da região. Hoje, em papel inverso, até pondera fazer queixa a Bruxelas. Há pessoas que não têm nenhuma vergonha, vivem da falta de memória dos outros e constroem narrativas para parecerem aquilo que não são.”

Mas a política, essa subtil arte de servir o semelhante, também é isto, não é?

 

Um percurso rico e frutuoso, aqui…

https://pt.wikipedia.org/wiki/Almeida_Henriques

Carreira Política
É actualmente Presidente da Câmara Municipal de Viseu, sucedendo ao autarca de referência nacional Fernando Ruas.Foi deputado à Assembleia da República, na XII Legislatura, com mandatos muito discretos, tendo sido eleito como cabeça-de-lista pelo círculo de Viseu ainda Presidente da Assembleia Municipal de Viseu e da Assembleia da Comunidade Intermunicipal Viseu Dão Lafões.

Entre Junho de 2011 e Abril de 2013, exerceu as funções de Secretário de Estado Adjunto da Economia e Desenvolvimento Regional do XIX Governo Constitucional, governo dirigido por Passos Coelho, onde foi colega de personalidades como Miguel Relvas, Paulo Portas, Maria Luís Albuquerque ou mesmo Miguel Macedo. Não há referência a trabalho relevante durante o seu mandato.

Uma carreira dedicada à politica partidária, Deputado à Assembleia da República nas IX, X e XI Legislaturas, foi vice-presidente do Grupo Parlamentar do PSD na XI Legislatura com a coordenação da área económica, tendo também exercido as funções de vice-presidente da Comissão de Assuntos Económicos da Assembleia da República e de vice-presidente da Delegação da OSCE (Organization for Security and Co-operation in Europe).

Vida Associativa
Na vida associativa, foi vice-presidente da CIP – Confederação da Indústria Portuguesa, presidente do CEC/CCIC – Conselho Empresarial do Centro / Câmara de Comércio e Indústria e Presidente da AIRV – Associação Industrial da Região de Viseu.

Mantém uma participação reduzida, nas actividades recreativas de diversas instituições culturais, sociais e científicas da cidade e região de Viseu.

É Comendador da Ordem do Mérito Agrícola, Comercial e Industrial (Classe do Mérito Industrial), por atribuição do Presidente da República Jorge Sampaio, uma das 2374 medalhas medalhas atribuidas[1]. É ainda Presidente Honorário da AIRV, associação industrial local.

Funções que desempenha

Presidente da Câmara Municipal de Viseu
Colunista no tablóide Correio da Manhã.

Cargos e Funções que desempenhou

Política:

Presidente da Câmara Municipal de Viseu desde 29 de Setembro de 2013

Secretário de Estado Adjunto da Economia e Desenvolvimento Regional do XIX Governo Constitucional (2011/2013)
Adjunto do Ministro da Juventude (1990/ 92)
Deputado da Assembleia da República na IX e X e XI e XII Legislaturas
Vice-presidente do Grupo Parlamentar do PSD (2005/07 e 2010/11)
Coordenador do PSD da Comissão de Assuntos Europeus na IX Legislatura (2004/05)
Membro e vice-coordenador da Comissão de Assuntos Europeus da Assembleia da República (2003/07)
Membro da Comissão de Assuntos Económicos, Inovação e Energia, suplente das Comissões de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas e Administração Pública e Ambiente, Ordenamento do Território e Poder Local e Membro do Grupo de Trabalho “Desenvolvimento Regional” (2010/11)
Membro da Delegação Parlamentar da OSCE (2003/05) e Vice-presidente (2005/11)
Vice-Presidente da Comissão de Assuntos Económicos, Inovação e Energia (2009/10)
Membro dos Grupos Parlamentares de amizade com a China, Moçambique, Rússia e Polónia
Presidente da Comissão Política da Secção de Viseu do PSD (1991/92)
Presidente da Mesa da Assembleia da Secção de Viseu do PSD (1992/98 e 2000/06)
Presidente da Assembleia Metropolitana da Grande Área Metropolitana de Viseu (2006/07)
Primeiro Secretário (1990/94) e Deputado Municipal da Assembleia Municipal de Viseu (1990/2005)
Membro do Conselho de Jurisdição Nacional do PSD (2008/09)

Associativa e empresarial:

Presidente da Associação Industrial da Região de Viseu (1994/2002) e Vice-Presidente (1991/94)
Presidente da Direção do Conselho Empresarial do Centro, Câmara de Comércio e Indústria (2002/10)
Presidente do Conselho Fiscal da Associação dos Comerciantes do Distrito de Viseu (1991/92)
Vice- Presidente da Direção do CEC-CCIC (1995/2000)
Presidente da Assembleia Geral do Conselho Empresarial do Centro – Câmara de Comércio e Indústria do Centro (CEC-CCIC) (2010/11)
Vice- Presidente da Confederação da Indústria Portuguesa (CIP) (2005/10)
Presidente da Direção da Novotecna, Escola Tecnológica do Centro (1997/2000)
Presidente do Conselho Fiscal da AEMITEC (1997/2000)
Membro do Conselho Consultivo do Projeto para a Inovação do Centro (2000/02)
Membro do Conselho Geral da AEP- Associação Empresarial de Portugal (1997/2003)
Vice-Presidente do Conselho Superior Associativo da AEP (1999/ 2001)
Membro do Conselho Superior para o Ensino e Formação da AEP
Vice- Presidente e Presidente do Conselho Fiscal do Europarque – Centro Económico e Cultural (2000/03)
Membro do Conselho Consultivo da CIP (2002/04)
Coordenador da Comissão das Câmaras de Comércio e Indústria de Portugal (2000/03)
Membro do Conselho Geral da ANJE (1991/2003)
Presidente da Assembleia Geral da Associação dos Comerciantes e Instaladores de Serviços de Telecomunicações – ACIST (2002/04)
Vice-Presidente do Conselho Consultivo da Escola Superior de Tecnologia de Viseu
Membro do Conselho Geral do Instituto Politécnico de Viseu
Presidente do Conselho Fiscal do Teatro Viriato até Junho de 2011
Presidente da Assembleia Geral do Orfeão de Viseu até Junho de 2011
Membro da Comissão de Acompanhamento do Programa Operacional do Centro (2000/03)
Membro da Unidade de Gestão do Eixo 1 do PO Centro (2000/03)
Membro do Comité de Direção do PRAI – Centro, Programa Regional de Ações Inovadoras do Centro (2000/03)
Membro do Conselho Regional da Região Centro (2007/2010)
Membro da Comissão de Acompanhamento do Programa Operacional do Centro no âmbito do QREN (2007/2010)
Administrador da Beiragás, Companhia de Gás das Beiras SA (1998/2003)
Presidente da Assembleia Geral das empresas Beiragás- Companhia de Gás das Beiras SA, Mais Vagos- Gestão de Parques Empresariais SA, Iutel-Infocomunicações SA
Fundador, Administrador e/ ou gerente de diversas empresas municipais, entre as quais, Expovis, Promoção de Eventos, Ldª., GestinViseu, Gestão de Parques Empresariais, Ldª., Polis Invest SA, Polis Alçado, Ldª., QI- Consultoria Empresarial Ldª., Gabiforma Ldª., Soma Perfeita, Ldª., Iutel SA, Beiragás SA, Mais Vagos SA e Centro Venture SA.

 

UFA! Isto é CV ministerial…