Distrito de Viseu – “Nós por cá… tudo bem!”

por Paulo Neto | 2017.10.02 - 20:45

 

 

Inquestionável a vitória do PS e a humilhante derrota do PSD. Esta foi a nota dominante do resultado eleitoral de ontem, nas Autárquicas2017.

Houve uma diminuição ligeira da abstenção, ainda assim, mais de 40% dos eleitores continuam a fazer o “manguito” às urnas e aos políticos. O que é um número terrível e com consequências péssimas.

O CDS-PP obteve 2,60% dos votos globais e, não obstante, estribado no bom resultado de Assunção Cristas em Lisboa, anda para aí a deitar os foguetes, apanhar as canas e…

… Porém, no nosso distrito, Hélder Amaral, o líder da distrital centrista foi o maior derrotado, logo de início em Viseu, com a perda do único vereador que tinha e, de seguida, em Lamego, com a saída do executivo.

Em ambos os casos foram taxativos os desmandos políticos do presidente da distrital. No primeiro caso ao cometer o erro crasso de escolher um candidato “paraquedista” para subir ao ringue dos peso-pesados, esquecendo nomes daqueles que lhe fizeram todo o trabalho sustentado e de base, no seu mandato ausente, como por exemplo Victor Duarte; no segundo caso ao não ter a capacidade de concorrer em coligação com o PSD, que sozinho obteve 26,99% dos votos, tendo o CDS-PP coligado com o PPM alcançado 24,97%. Se o PS ganhou com 37,93%… Ainda assim, esta vitória de Ângelo Moura, pode ser de Pirro, pois elegeu 3 vereadores contra 2+2 das duas outras forças partidárias. Decerto vai ser um duro mandato, ainda por cima numa autarquia super endividada…

Hélder Amaral está acabado.

Viseu Primeiro, de Almeida Henriques, o autointitulado “Pai dos Pobres”, ganhou o vereador perdido pelo CDS-PP, elegendo 6 elementos. O PS com Lúcia Silva também esteve bem, mantendo os 3 vereadores.

Em Castro Daire, a derrota de Carneiro, do PS, foi inesperada e estonteante e, talvez, a paga de muita arrogância e excesso de bacoquismo.

Oliveira de Frades, que era do PSD, foi outra surpresa ao cair nas mãos de Paulo Ferreira, do movimento Nós Cidadãos. A outra autarquia que mudou para o PNT, com Manuel Cordeiro, foi S. João da Pesqueira onde o autarca cessante atingiu o limite de mandatos.

Provavelmente não se lembrou de fazer como o do Sátão, Alexandre Vaz que, num bailinho da Madeira onde “agora entro eu, logo entras tu, depois entras tu mais eu”, baixou a nº 2, subindo o nº 2 a nº 1. Ziguezagueante, mas elementar, não é? Sem cometerem qualquer ilegalidade encontraram a necessária arteirice para contornar uma lei incómoda para os seus desígnios dinásticos de perpetuação no “poder”. Um mau exemplo de mera baixa politiquice.

Em Sernancelhe e Mangualde, PSD e PS respectivamente, foram retumbantes nas suas vitórias, cilindrando liminarmente a oposição. Em Sernancelhe com 71,92% do PSD contra 18,15% do PS, que viu a sua votação reduzida a metade de 2013, o que resultou num 4-1 elucidativo. Também elucidativo foi o resultado obtido pelo PS em Mangualde, com 69,53% dos votos contra 21,66% do PSD, o que resultou num clamoroso 6-1.

A CIM Douro Sul vai a votos, agora com a saída de Francisco Lopes. Ficaria bem encabeçada por Carlos Silva, o presidente da Câmara de Sernancelhe.

Quanto à CIM Dão Lafões, mantendo-se Joaquim Bonifácio como independente na câmara de Aguiar da Beira, distrito da Guarda, mas integradora desta Comunidade Intermunicipal, perdendo o PSD Oliveira de Frades (para um independente que será o futuro “fiel da balança”), a vitória de Castro Daire não lhe trará alterações significativas, a não ser que Paulo Ferreira vote com os “laranjas”, o que não é muito provável.

Uma nota final para uma autarquia do distrito da Guarda e que nos é pessoalmente próxima: Gouveia, onde Luís Tadeu, do PSD, bisou com um “pleno” com 53,79% de votos contra os 31,65% do PS, o que redundou num marcante 5-2 contra o 4-3 de 2013.

O presidente da federação do PS, António Borges, sem louros nem mérito, viu cair-lhe no regaço uma conjuntura muito favorável. Talvez por isso, já ande por aí a mandar comunicados de autoelogio. Pedro Alves, presidente da distrital do PSD, perante um cenário nacional desfavorável, teve um resultado global plenamente aceitável, manchado apenas e significativamente pela perda de Lamego, mais imputável à casmurrice de Francisco Lopes e inépcia de Hélder Amaral, que aos seus pessoais esforços diplomáticos…

E pronto, agora senhores autarcas, vão cumprir as promessas, porque em 2021 voltam a ser julgados e… “tempus fugit”!