CGD deu tempo aos grandes devedores para “falirem”?

por Paulo Neto | 2019.02.15 - 11:12

 

 

É o que parece quando hoje é público que os grandes “caloteiros do regime estão na maior”, pois as engenharias financeiras, ter-lhes-ão permitido encenar a falência das empresas devedoras.

Contrito, aparece-nos Paulo Macedo, o reputado “ex-cobrador de impostos” da AT, tão eficaz à época e hoje tão ineficiente, a parecer sempre um jesuíta triste e supliciado…

Fechar agências, é fácil.

Despedir colaboradores, pelo menos os mais “frágeis” do sistema, é fácil.

Não pagar juros aos depositantes, é fácil.

Cobrar taxas altíssimas e comissões por tudo e por nada, é fácil.

E isto para centenas de milhares de clientes. Os pequenos e médios clientes. Aqueles que há décadas são o pilar do banco público.

Difícil mesmo é pegar nos 25 grandes devedores, os dos biliões de euros, aqueles que entre 2000 e 2015 – quem eram os administradores da CGD? – receberam muito mais de 2 biliões de empréstimos e hoje, pasme-se?! Estão falidos ou em processo de insolvência. Pelos vistos a “negociata” correu mal e a fartura engasgou-os…

E até há quem diga que e por exemplos as fazendas de alguns, no Brasil, até têm aeroportos onde podem aterrar boeings… mas isso, decerto, são as más línguas dos invejosos.

Há empresas a mudar de nome como por exemplo o Grupo Lena do Joaquim Barroca, que vai passar a chamar-se Grupo NOV e vai daí, fica novinho em folha… podendo continuar na sua senda triunfal pelo desenvolvimento de Portugal – isto até rima…

Quanto aos administradores implicados nestes empréstimos sem precedentes, Carlos Costa, actual governador do Banco de Portugal incluído, nada têm a dizer sobre o assunto. Uns seriam cegos, outros surdos, outros mudos. Outros até, cegos, surdos e mudos de uma assentada. Dá tanto jeito a alguns, este tipo de deficiências…

Enquanto Paulo Macedo agir corporativamente, nesta atitude de eventual protecção dos seus “pares” e nada mais fizer do que constatar que o bando de devedores já não tem cheta (?), mal estamos.

Pior ficamos quando, clientes pequenos como eu e o leitor, há mais de 40 anos fidelizados, somos chamados colateralmente e até enquanto contribuintes da Nação a pagar este forrobodó.

A imoralidade destes processos bancários, BPN, BES, etc., raia o obsceno. Obscena é também a atitude dos políticos que calam e calando consentem. De que terão eles medo? Do jacto fétido que saia da boca escancarada dos ex-administradores? De afinal a culpa ser extensiva a muitos mais que esses administradores?

Os bancos, outrora respeitáveis, são hoje e em geral a fonte do maior descrédito nacional. A sucessão de casos parece não ter fim à vista. Sendo certo que o dinheiro sumido/saqueado/roubado que daria para a Saúde, a Educação, as Obras Públicas como o IP3, o desenvolvimento do interior, etc., etc., etc., é canalizado para pagar as dívidas de biliões contraídas por 200 indivíduos, com a cumplicidade de políticos e administradores que decerto têm nome e rosto. Ou não terão?

Porém, parecem ter também o que falta a 11 milhões de portugueses: impunidade.

No fundo tudo isto será uma imensa “cabala“, substantivo que cada vez mais eu penso ser o feminino singular dos “asnos“, que seremos todos nós.