António Costa é um menino de coro?

por Paulo Neto | 2017.05.05 - 12:22

 

 

Provavelmente não… Porém, por vezes não deixa de o parecer, ao comportar-se como tal.

Politicamente não existem Candidinhas nem meninas Virgínias ou Eugénias. Antes pelo contrário, cremos ser hoje a política terreiro ou atoleiro pior que o da batalha de Aljubarrota em dia de dilúvio. Um campo de luta onde inimigo poupado, a pretexto de quaisquer supremos e soberanos valores, é mero húmus de leira, quando trespassado pelo boomerangue que não acautelou.

Talvez por essas e outras, bizarro é António Costa manter em funções políticas indivíduos que foram para elas nomeados por serem de exclusiva confiança de distante outrem, que para elas os nomeou.

Porém, ingénuo será pensar que os nomeados por um “quadrante”, de repente, se tornam daltónicos, mudando de teeshirt e toando loas aos “rosados”. O que nem é de todo impossível, convenhamos…

Fino e arguto na governação central, com provas sobejamente dadas, na governação local a pseudo candura de Costa (?) assemelha-se à do aluno rabino, ladino e truculento que faz tagatés à professora para figurar no quadro de honra, com tantas menções encomiásticas quantas as nódoas negras assinaladas… Provavelmente até terá uma estratégia, contudo de tão secreta, tornou-se invisível para todos os esteios das estruturas regionais do partido, ao fim de quase 18 meses como primeiro-Ministro do XXIº Governo.

Ademais, correrá o risco de se pensar que o partido do qual é secretário-geral sofre de deficit de quadros, não tem cabeças pensantes e receia colocar as cabeças que sobejam em lugares decisórios e de chefia. Lastimável pensamento…

No entreacto, aqueles que pugnaram e há anos terçam armas pelas hostes de Costa e seus antecessores, sem mira na recompensa ou mordomia, perplexos, começam a pensar que e afinal foram à guerra pelos “alaranjados” e/ou “azulados” que continuam a chefiar a maior parte das estruturas públicas locais.

Basta lembrarmos a chico-espertice consequente do Mota da Lambreta que encheu os quadros da SS com os apaniguados a escassas semanas de alçar. Em benefício de dúvida podemos acreditar que Costa não se compara ao Mota do Portas. E daí? Quadro de honra?

Talvez por isso, em alguns serviços acontecem as mais atrabiliárias situações, dignas de um filme latino-americano de 3ª, trágico-cómicas ou pantomino-dramáticas…

A começar pelos chefes que nunca estiveram preparados para o ser e a acabar nos arrivistas, que farejando a fraqueza do comissário de ocasião, se lhes colam às espaldas, cavalgando-os de forma tão artificiosa que até conseguem fazer-se passar pelo jumento cavalgado, togando-se de doutores honoris causa em campos de magna sapiência, juristas fecundos em leis com a 4ª classe mal esgalhada, redigindo despachos como quem estruma próspera seara, nas crónicas arrogâncias atrevidas de gentinha ignorante, agarrada às migalhas de poder como láparo esfaimado, deslumbrados e municiados com as réstias de uma autoridade administrativa pingada do alheamento e incompetência da chefia, por seu turno nomeada pelo amiguismo colorido do partido, há muito alheado do mérito, meros almocreves do volta e torna das mercês fiduciárias conferidas aos cabeças de turco de ocasião.

Por isso e que mais não fosse, António Costa perde a confiança daqueles que lha concederam, não para perpetuar os hostis mandantes, mas para mudar políticas rasteiras contra as quais se erigiu como credível oposição. Ou não?

Isto para não referir a classe dos “nomeadores”, lugares-tenente regionais, vergados à mesura, horizontalizados pela coluna sofrida e dorida, frequentemente néscios albardados com arreios luzidios e estribados na opacidade das suas insuficiências crónicas e insanáveis.

António Costa não ousou terçar armas com esta cavernosa cáfila de gente malévola, permissiva, hipócrita, subserviente e diligente na protecção dos seus pintainhos de estimação.

A factura há-de chegar.