Almeida Henriques e o seu (já) falhado “Projecto de Dez Anos Para Viseu”

por Paulo Neto | 2017.11.22 - 15:52

 

 

Estamos sensivelmente a meio da década que Almeida Henriques configurou para mudar o Concelho de Viseu.

Conforme apregoou aquando da sua candidatura, uma década seria o período de tempo necessário para implementar as suas medidas, constantes do programa eleitoral Viseu Primeiro.

Quatro anos depois, incumpridas maioritariamente as linhas deste programa, apresenta para 2013/2017, pomposamente como tudo que tem uma essência oca, os “12 Compromissos de Governação”.

Num primeiro mandato prenhe de polémicas locais e distritais que o deixaram conhecido como “autarca-eucalipto” por tentar secar tudo à sua volta, afirmou-se também, como o “autarca-holofote” ao fazer da comunicação social o seu mais retumbante investimento, fundamentalmente na projecção dos vinhos, das festas a ele ligadas e da sua própria pessoa, em campanhas tão inócuas e tontas como a de decretar 2017 o Ano Oficial de Visitar Viseu, que se tornou mais um “flop”, como se pode constatar a uns 40 dias do fim deste 2017.

Lembramos que o Concelho de Viseu cobra mais de 12 milhões anuais só de IMI. O que, grosso modo, dá mais de um milhão de euros de entrada nos cofres camarários por mês… sem falar de todos os outros muitos e plurais impostos.

Não contente com o “inconseguimento” das macro linhas programáticas do seu projecto inicial,  ficcionou para os próximos 4 anos 2 macro eixos centrados na regeneração da Mata do Fontelo e na expansão dos parques empresariais, que por mais que se expandam, só carecem… de empresas. Sobre o primeiro, liricamente, saiu-lhe esta bonita ejaculatória:

Desde logo à cabeça um compromisso que assumi a ouvir os pavões, no Fontelo, no lançamento desta candidatura, que é a regeneração desta mata quinhentista, que é uma das nossas joias da coroa. É uma concretização que, com apoio comunitário ou sem apoio comunitário, vamos assumir como desígnio para estes quatro anos”

“Em segundo lugar a expansão dos parques empresariais de Mundão e Coimbrões e a criação da Incubadora de Base Cientifica e Tecnológica de Viseu.”

“Como terceiro compromisso a criação de “Áreas de Reabilitação Urbana” em freguesias periurbanas e rurais e a criação de espaços de incubação empresarial de base rural”.

“A criação do Centro de Mobilidade de Viseu, a melhoria das acessibilidades nas articulações cidade – periferia (EN 229) e a resolução de pontos críticos da Circunvalação.”

“A reconversão e reabilitação do Mercado Municipal.”

 “A cobertura e revitalização do Mercado 2 de Maio.”

“A construção de três novos parques de estacionamento no Centro Histórico.”

 “A reabilitação de edifícios-âncora, do Bairro da Cadeia e do antigo edifício da Comissão Vitivinícola do Dão.”

“A elaboração da carta Patrimonial e o lançamento da primeira fase do museu da história da cidade.”

“A implementação do projeto municipal “Viseu 100%”, disponibilizando soluções de recolha e tratamento de efluentes domésticos a todos.”

“O desenvolvimento de um projeto de formação e qualificação turística e hoteleira.”

“ 10 compromissos para com as freguesias, nomeadamente a atualização dos Planos de Desenvolvimento Local e reforço da “descentralização de competências em áreas de comprovada eficiência ao nível das freguesias e incremento dos contratos programa”.

Em boa verdade se diga que até são mais do uma dezena. Dos quais parte já vem de trás. E se lhes acrescentarmos os incumpridos desideratos prometidos do 1º mandato, então… pensamos que Almeida Henriques se enganou e que o seu projecto seria a 24 anos, não fora a Lei da Limitação dos Mandatos o condicionar.

De qualquer modo, mandatário de Santana Lopes, se tiver a Fortuna de apostar “no cavalo certo” e se António Costa num futuro a médio prazo deixar de ser Governo, Almeida Henriques sai de Viseu disparado e com o Sobrado às costas para um qualquer ministério da Propaganda… ou uma secretaria de Estado da Ficção.

O que, poderia ser o melhor acontecimento para Viseu das últimas décadas. Porém, naquela curta frase há dois “se” muito condicionais…