Água no limite; ETAR na solução

por Paulo Neto | 2017.11.11 - 12:54

 

 

Um ministro – neste caso do Ambiente – cometeu a “argolada” de anunciar que a água para abastecer Viseu, Mangualde, Penalva do Castelo e Nelas viria de comboio. Claro que e antes de dizer a asneira não tentou saber quantos m3 pode um comboio transportar de água sem riscos, quais os seus custos e qual o significado prático dessa ínfima água transportada.

Almeida Henriques até já mediu a fila de camiões-cisterna, que afirmou ter 2,5 kms e todos os dias fala nos custos que o abastecimento de água está a ter para o município, ávido, como sempre, de pôr a mão na massa, nunca se queixando das milhões gastos em festarolas e em publicidade de auto-promoção. Mas isso é outra história…

Ontem, o Presidente da República ficou atónito ao tomar conhecimento in situ de que a barragem de Fagilde está quase seca e com água apenas para três semanas. O autarca de Mangualde, João Azevedo, ainda foi mais longe e clarificou que para restabelecer a normalidade eram necessários “500 camiões por dia a deitar água dentro da bacia da Barragem de Fagilde”. Provavelmente, muitos mais quilómetros do que o seu colega de Viseu ousou sonhar e publicitar por todos os microfones, jornais e televisões deste país.

A Barragem de Fagilde abastece aproximadamente 130 mil munícipes dos quatro concelhos referidos e perdeu 90% das suas reservas. E agora?

A única e viável solução é aproveitar as águas depuradas das ETAR’s. Provavelmente, deveria ter sido por aqui que a resolução do problema deveria ter começado, garantida a absoluta pureza biológica da água pelos mais apurados testes do Ministério do Ambiente.

Quanto ao resto e provado que as orações do cardeal patriarca D. António Clemente não resolveram o assunto, ler infra:

“Na presente situação, proponho aos irmãos sacerdotes do Patriarcado de Lisboa que, quando a Liturgia diária o permita, celebrem a Missa para Diversas Necessidades, com a prevista Oração Coleta: «Deus do universo, em quem vivemos, nos movemos e existimos, concedei-nos a chuva necessária, para que, ajudados pelos bens da terra, aspiremos com mais confiança aos bens do Céu. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo»”

Vamos ter fé no ministro Matos Fernandes que e segundo o “Público”, afirma:

“Nunca permitimos que a água faltasse em nenhuma torneira”, salientou o ministro, recordando o que já foi feito no distrito de Viseu, devido à redução da barragem de Fagilde, que considerou o maior problema neste momento. Para este caso em concreto, Matos Fernandes adiantou estar já desenhado um programa de transporte de água por comboio e a montagem de uma Estação de Tratamento de Águas (ETA) móvel.

A ideia é apostar no tratamento de efluentes, pelo que Matos Fernandes lembrou que está já em curso, na ETAR de Viseu, “a primeira experiência com escala” de tratamento terciário que permitirá a utilização dessa água tratada para vários fins, excepto o consumo humano.”