A violência em directo

por Paulo Neto | 2017.06.05 - 10:02

 

 

A televisão tem 50% de praga e outro tanto de encanto.

Uma companhia agradável que nos transmite informação e recriação; uma praga que serve os interesses de todos os actos abomináveis, recorrentemente recriados, para serem divulgados, assim como veículo de toda a violência imaginável em sucessão de filmes onde o sangue espirra de bidões de 300 litros e as balas voam aos milhares, como no cerco de Estalinegrado.

E porém, apesar de todo este voyeurismo e publicitação da “notícia” letal, viral, mortal; apesar da indução ao mimetismo por parte de jovens, adolescentes e adultos, ela é inseparável das vidas modernas. Veio para ficar e tomar conta das nossas vidas e regular ou desregular os nossos actos e/ou comportamentos.

Muito poderíamos escrever sobre o silenciar da “notícia quente” e o direito total à informação; sobre critérios de selecção da matéria informativa; sobre os riscos que daí poderiam advir em nome dos “bons costumes”; acerca da destruição da democracia; da imposição da censura, etc. Dava uma centena de debates…

 

Entretanto, donald-the-clown, o presidente de uma das maiores potências mundiais, com a arrogância dos falhados actores de 3ª, em poses de gestualidade malabarista muito estudada ao espelho – o Hitler e o Estaline também treinavam – vai rasgando e pondo em causa acordos para tardia salvação do planeta enquanto vende biliões de armas aos carniceiros do médio oriente para exterminarem os europeus na nova cruzada de Saladino, escrevendo os seus tweets de 3 linhas com 5 erros ortográficos (sofrerá, também, de “dislexia escrita”), escarnecendo de todos os seus oponentes, criticando tudo com a sobranceria dos idiotas e a impunidade dos bobos das cortes de antanho. Os USA na sua versão viral, de “exterminador implacável”.

 

Recrudesce a violência terrorista, cirúrgica, eficaz, abalando a segurança dos Estados, dos povos, dos cidadãos. O objectivo cumpre-se. Nada mais será como dantes. Depois da II Grande Guerra, o extermínio volta à decadente Europa, punindo os inocentes pelas culpas dos seus vis governantes, democraticamente eleitos, conformados no sibaritismo de suas regalias e alheados – há muito alheados – do caldeirão ebuliente que ajudaram a acender, cúmplices anónimos de atrocidades incontáveis, disfarçadas sob vestes de nobreza mas, de facto, vestidas com a perfídia da desenfreada exploração de novos escravos e de recursos petrolíferos (e outros) quási intermináveis.

Hoje é difícil, neste vaudeville trágico, distinguirmos os heróis dos vilões. Provavelmente, com maior ou menor grau de culpa, serão todos vilões, só que uns trazem cintos armadilhados com bombas, outros mandam lançar bombas, gloriosamente, na pseudo defesa dos valores (?) ocidentais/civilizacionais.

 

Em Viseu, o executivo acolitado pelo bispo – ou vice-versa que o resultado é o mesmo – leva os seniores a receber a esperança numa vida melhor, à capela das Aparições, em Fátima.

A Junta de Freguesia, por seu turno, anda a passear os octogenários em viagens de avião – há que aumentar o número de “voadores” – de Viseu a Vila Real e de Vila Real a Viseu. Tardio o baptismo de voo, mas ainda a tempo das eleições de Outubro. Quem paga o regabofe? Serão os promotores? Talvez. Com o dinheiro de quem? Do Zé, pois claro…

Tamanha hipocrisia esta que só não nos deixa atónitos, porque esta despudorada malta já nos habituou e preparou para quase tudo…

 

Nota: As fotografias de arquivo foram, com a devida vénia, tiradas do “site” do município, a quem muito agradecemos a valiosa reportagem em imagens.