A manif silenciosa do Rossio, em Viseu

por Paulo Neto | 2017.10.21 - 19:37

 

 

Também em Viseu se gerou uma onda de pesar pelas vítimas dos incêndios da semana passada, onda essa que levou a uma manifestação silenciosa, no Rossio, em Viseu, defronte a fachada da autarquia.

Na perspectiva de entendermos a essência de tal acto, e não querendo pressupor em facilitismo de juízo tratar-se de uma manifestação de cariz político contra o Governo, fomos até ao Rossio.

Eventualmente duas centenas de cidadãos estavam postados frente às portas abertas do Município, para além de passantes e dos reformados habituais. Luzes interiores acesas, lá dentro ignoramos quem estivesse, para além do chefe de gabinete de Almeida Henriques, que chegou na sua reconhecível “lambreta”.

No exterior, além de uma ambulância do INEM e um carro dos Bombeiros Voluntários, estava a inevitável caminheta da SIC. Fazemos votos que a ambulância não tenha sido necessária, tão pouco os “soldados da paz”. Quanto à televisão, decerto teve muita utilidade e matéria de reportagem.

Vamos aguardar para ver, desde já garantindo que não acreditamos, à hora da escrita deste editorial, que o autarca “holofote” se pudesse ter servido da “bondade” dos manifestantes, solidários e condoídos, para chamar a si a comunicação social, e deste modo, aproveitando a boleia, ou surfando a onda, protagonizar mais uma das suas cenas, que já começam a assemelhar-se às “partes gagas” de um filme dos irmãos Marx…

Nem ele seria capaz de fazer da calamidade, do sofrimento humano e da catástrofe motivo ou pretexto para se evidenciar mediaticamente.

Convenhamos que isso seria mau de mais e a alma cristã e bem-formada do nosso autarca, nunca tal atitude pública lhe permitiria.