EUDAIMONIA – Carga

por Rui Macário | 2015.05.03 - 11:41

 

 

Por carga entende-se capacidade. Carga máxima em termos turísticos é o limite de capacidade de um determinado espaço – por exemplo quanto a um território ou monumento – em termos de número de turistas que pode receber sem prejudicar as infra-estruturas agregadas e sem promover a degradação dos elementos putativamente patrimoniais (naturais ou culturais) em causa. Recentemente e em mais de uma ocasião, foi mencionado o conceito de capacidade de carga do território próximo que é o nosso (Viseu em termos latos). Deliberando-se ou antes afirmando-se de cátedra, que era necessário avaliar com alguma parcimónia a dita capacidade para a carga que se mencionava. Os exemplos comparativos: territórios com elementos classificados como Património da Humanidade.

Perspectivar o futuro é sempre saudável e havendo intuitos definidos de promover um processo de candidatura a Património da Humanidade, é não só conveniente como necessário prover a uma avaliação global do que se possui, do que se pretende e de como se procederá de modo a manter intacto ou o mais intacto possível algo que se pretende valorizar (e salvaguardar simultaneamente, sendo este o busílis da questão).

Ainda assim resulta mais ou menos claro que o território que é o nosso não só não possui “carga” que seja digna desse nome como nem sequer se posicionou para acolher os visitantes não estrangeiros que poderiam com alguma facilidade “experimentar” ou “experienciar” as valências regionais. Antes da Humanidade, talvez promover a proximidade trouxesse um patamar de prática e – enfim a tal – inovação quanto ao atrair e cuidar dos visitantes que serão em parte turistas, pelo sector que em princípio beneficiará directamente dessa dinâmica.

Paris e Berlim, mencionados nessas ocasiões que referi anteriormente, estão ali ao lado é certo mas porventura ou se é luso-qualquer coisa ou não se saberá onde fica Viseu. A capacidade de carga poderia talvez aguardar em detrimento da melhoria de condições da comunidade que foi fazendo do território que é o nosso, sua casa e local de trabalho. Ainda faltam muitas melhorias e muitas condições para que esta comunidade (estas múltiplas comunidades) não seja a última ou das últimas. “Vender” uma cidade apenas – e aí é Viseu – e desertos demográficos terá o seu encanto mas não me surge como o mais “a propósito”.

 

Licenciado em Arte e Património (UCP-Porto) e Pós-Graduado em Arte Contemporânea (UCP-Porto), sendo actualmente Investigador do Centro de Investigação em Ciência e Tecnologia das Artes (CITAR) e doutorando em Estudos do Património (UCP-Porto),
Desde 2008 é um dos responsáveis pela Projecto Património, tendo assumido funções de coordenação/co-coordenação de vários dos projectos pela mesma assumidos (de que se destacam o Ano Internacional Viseense, a VISEUPÉDIA, o VISTACURTA – Festival de Curtas de Viseu, e o Museu do Falso).
Colaborou em, ou integrou projectos de várias entidades a operar no sector cultural (entre outras: Museu do Carro Eléctrico, Museu Grão Vasco, Diocese de Viseu, Arquivo Distrital de Viseu).

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